sábado, 6 de novembro de 2010
Orfismo, Pitágoras e Hermetismo
De acordo com alguns autores, o Orfismo era baseado na lenda do Deus Dionísio, que era filho de Zeus e Perséfone. Diz a lenda que Hera, esposa oficial de Zeus, enciumada mandou os Titãs assassinarem Dionísio. Eles assim o fizeram e, depois de matarem o jovem Deus, esquatejaram-no, assaram os seus restos mortais e o comeram. A Deusa Atena, que passava pelo local, conseguiu salvar o coração de Dionísio, entregando-o a Zeus. O Rei do Olimpo, enfurecido, com um raio dizimou os Titãs, transformando-os em cinzas. Feito isso, comeu o coração de Dionísio. Dionísio, então, renasceu de Zeus como um verdadeiro Deus do Olimpo, em toda a sua glória.
Outros autores contam a lenda de uma forma um pouco diferente. Contam que foi o Deus Hermes que salvou o coração de Dionísio e que Zeus, depois de fulminar os Titãs com um raio, ao invés de comer o coração o implanta em sua perna. Em seguida, ele engravida a mortal Semele, sendo que Dionísio renasce de Semele.
Independentemente de como termina a lenda, o tópico principal em que se baseava o Orfismo é o mesmo: Dionísio sendo morto pelos Titãs e renascendo em seguida por intervenção divina. De acordo com os ensinamentos órficos, as cinzas a que foram reduzidos os Titãs formam o corpo do ser humano, enquanto o coração divino de Dionísio forma a alma humana.
Dessa forma, de acordo com o Orfismo, o ser humano tem uma alma divina, aprisionada num corpo material. Para eles o corpo material era sujo, enquanto a alma era pura. Acreditavam na encarnação. Para eles, quando alguém morria e não era puro o suficiente, tinha que reencarnar novamente, esquecendo-se de sua natureza divina. Dessa forma, a cada reencarnação a alma da pessoa ia se purificando, até chegar ao ponto em que não precisaria mais voltar à Terra. Nesse ponto, ao morrer, ao invés de se reencarnar ele iria para os Campos Elíseos, morar junto aos Grandes Heróis.
Essa purificação era representada pela transformação dos Titãs em cinzas, e a quebra do ciclo de reencarnações era representado pelo coração de Dionísio que era salvo, permitindo que o Deus renascesse em toda a sua glória no Olimpo.
Os Mistérios Órficos visavam a purificação do Iniciado para que o mesmo, auxiliado pelo Deus Dionísio, conseguisse quebrar os ciclos de reencarnação. De certa forma, o Orfismo lembra um pouco o Espiritismo Kardecista, só que no caso do Orfismo é o Deus Dionísio quem guia o ser humano aos Campos Elíseos.
O Orfismo viria a influenciar fortemente um outro movimento posterior, o Pitagorismo.
Pitagorismo
A escola pitagórica, tal como o Orfismo, também pregava que o objetivo final do ser humano era abandonar os ciclos de reencarnação. Acreditavam que o ser humano podia se reencarnar não apenas como humano, mas que também podia voltar à vida terrena como um animal ou até mesmo como um vegetal, e que em cada uma dessas vidas terrenas, a alma ia se purificando, mostrando forte influência do Orfismo na filosofia pitagórica. O Pitagorismo também pregava várias práticas de purificação, dentre as quais a proibição de se comer carne e de se beber vinho. Para os pitagóricos, assim como para os órficos, a alma era perfeita, enquanto o corpo era imperfeito. Provavelmente, essa idéia de que a alma era pura e o corpo impuro tenha influenciado os primeiros cristãos.
Ao contrário dos órficos, os pitagóricos não acreditavam na purificação do ser humano através do Deus Dionísio. Para Pitágoras e seus seguidores, será o conhecimento que irá libertar o ser humano dos ciclos das reencarnações, mais precisamente, será o conhecimento dos “números” que irá permitir que o ser humano se desenvolva a ponto de se tornar um Deus.
Para Pitágoras, tudo era manifestação dos Números. Para ele, tudo na natureza podia ser descrito através de relações numéricas. De acordo com o pitagorismo, tudo o que existe tem um número que o representa, sendo que as coisas são diferentes entre si devido ao fato de possuírem Números diferentes, ou seja, devido ao fato de serem manifestações de Números diferentes. Mais tarde o Hermetismo iria adotar essa idéia, através dos princípios herméticos das frequências e dos ritmos.
Para os pitagóricos os números são a essência das coisas, sendo o mundo material apenas uma representação grosseira do mundo divino, que é o mundo das essências, é o mundo dos Números. A alma humana pertence ao mundo dos Números e, portanto, é perfeita. Nós não conseguimos ver o mundo Numérico pois nossa alma está aprisionada por um corpo material, imperfeito. Dessa forma, o que os nossos sentidos captam não é a realidade absoluta, e sim uma representação grosseira da mesma. Somente através do intelecto poderemos captar a essência das coisas, ou seja, o mundo verdadeiro formado pelos Números. Tal idéia seria retomada mais tarde por Platão, que ao invés de se referir ao mundo Numérico, iria chamá-lo de Mundo das Idéias, onde as Idéias iriam substituir os Números.
De acordo com Pitágoras, o ser humano irá se desenvolver conforme ele vá cada vez mais compreendendo os Números e as leis que os regem. De acordo com ele, o Universo é regido por leis Numéricas bem definidas e, portanto, é ordenado. E quanto mais o ser humano for compreendendo essas relações, mais ele irá se desenvolver, até chegar ao ponto em que romperá os ciclos de reencarnações, pois passará a estar em perfeita harmonia com as leis numéricas que regem o Cosmos. Em essência, tudo isso foi herdado mais tarde pelo Hermetismo.
De acordo com a Escola Pitagórica, os Números são divididos em Par e Ímpar. Eram defensores da dualidade, ou seja, de que todo o princípio tem o seu oposto, e a Harmonia Cósmica se forma devido a interação e o equilíbrio entre os opostos. Assim sendo, tudo o que existe no Cosmos é formado pela interação entre pares de opostos. Tudo é formado por uma parcela Infinita e por uma parcela Finita. Tudo é formado por uma essência Numérica e por um corpo material. É a interação entre dois princípios opostos que geram um terceiro ponto, que é o que se manifesta. Dessa forma, tudo o que existe tem, em sua essência, características de ambos os princípios opostos responsáveis por sua manifestação. Tal conceito foi herdado pela Cabala e, mais tarde, pelo Hermetismo.
Sabe-se que grande parte dos primeiros cristãos foram pitagóricos, dessa forma, o pitagorismo recebeu uma grande influência monoteísta. Apesar dos escritores e pesquisadores cristãos terem a tendência de afirmar que Pitágora pregava a existência do Uno, eu realmente acho que isso foi uma deturpação posterior dos pitagóricos cristãos, que adaptaram o pitagorismo para que o mesmo estivesse de acordo com o dogma monoteísta. De acordo com alguns autores, os primeiros pitagóricos eram contra o eleatismo, o qual afirmava a existência do Uno. De acordo com o eleatismo, não existia Não-Ser, pois existia somente o Uno, sendo tudo uma Unidade. Porém, de acordo com os pitagóricos originais, se existia um Ser, também existia um Não-Ser, e ambos formavam o Uno, logo, ele já não era Uno, e sim era uma Pluralidade. Isso me indica que os primeiros pitagóricos já anteviam a existência do Zero, sendo que os defensores do Uno erram por achar que o Um era o primeiro número, pois ainda não tinham o conceito do Zero, indicando que o Um não é o primeiro número, o que vai contra o conceito do Uno.
De acordo com a teoria da dualidade pitagórica, se o Uno existia ele teria que ter os princípios opostos dentro de si mesmo, sendo Par e Ímpar ao mesmo tempo. Isso é ilógico e contraditório e, portanto, impossível, pois se esses princípios já existiam, o Uno já não era o Uno. Os primeiros pitagóricos, de acordo com alguns autores, usavam os Números e a lógica matemática justamente para atacar o conceito do Uno apregoado pelo eleatismo. É óbvio que, no futuro, os pitagóricos cristãos iriam esquecer tudo isso, e viriam a deturpar o pitagorismo acrescentando o Uno aos ensinamentos de Pitágoras.
E por fim, os Pitagóricos consideravam o Número 10 como especial. Consideravam que o Número 10 representava a totalidade do Cosmos, pois representava a soma dos 4 elementos que formavam o Universo e, portanto, representava tudo o que existia no Universo. Mais tarde a Tetraktys Pitagórica viria influenciar os Cabalistas na criação de sua Árvore da Vida com as 10 Sephirot.
Sabe-se, pelo que foi exposto, que o Pitagorismo influenciou fortemente o Hermetismo. Mas infelizmente, o Hermetismo também foi deturpado pelo monoteísmo, da mesma forma que o foi o pitagorismo. Dessa forma, vou tentar analisar como seria o Hermetismo sem as deturpações monoteístas.
Hermetismo sem o Monoteísmo
É minha opinião que as Leis Herméticas, sem a influência nociva do monoteísmo, seriam praticamente as mesmas, pois elas descrevem leis naturais. Por exemplo, os 7 princípios herméticos descritos no Caibalion estão corretos em essência. O que está errado é justamente a explicação do porque desses princípios, baseada numa falsa premissa de que só existe um deus único e de que tudo se originou desse tal de Uno.
No Caibalion se fala do TODO, e que tudo está contido no TODO. Concordo com isso, pois tudo o que existe no Cosmos está inter-relacionado, formando um todo coerente que interliga tudo através das leis naturais e do princípio do equilíbrio, responsável pela lei da ação e reação. Porém, a Caibalion erra ao confundir o TODO com a sua fonte, dizendo a asneira terrível de que o TODO é o deus único monoteísta. Afinal de contas, para manter a mentira de que só existe um deus e de que nada existe que não seja ele, os hermetistas monoteístas tiveram que deturpar a verdade. Encobriram o fato de que o TODO foi gerado do Caos, sendo que esse Caos foi colocado em ordem e equilíbrio através das ações dos Deuses Primordiais, que por sua vez deram origem a todo um panteão de Deuses e Deusas, que são os responsáveis por manter essa Ordem Cósmica juntamente com os Deuses Primordiais.
O Caibalion diz que o TODO é mente. Concordo, pois isso é a base da magia e do misticismo. Porém mais uma vez ele erra ao dizer que o TODO é uma única mente infinita. Como eles tem que manter a mentira do Uno em pé, não há espaço para mais de uma mente além da falsa mente do deus monoteísta. Mais uma vez eles encobrem a verdade de que o TODO é formado por várias mentes divinas. Afinal de contas, é a mente poderosa e infinita dos Deuses que mantém a Ordem Cósmica, fazendo com que o TODO se comporte de forma coerente e ordenada.
O Hermetismo monoteísta prega a evolução do ser humano, assim como também apregoam o Orfismo e o Pitagorismo. Isso está correto, pois de fato a tendência do ser humano é evoluir, aumentando a sua compreensão do Cosmos e se tornando cada vez mais desenvolvido. A diferença entre o Hermetismo monoteísta e o politeísta está no fim da jornada, ou seja, em sua etapa final, o que os Hermetistas chamam de a “consecução da Grande Obra”. Como eles tem que manter a mentira do Uno, eles pregam que o destino final é a reintegração à Unidade. Isso é ridículo!!! Afinal de contas, evoluímos para chegar no final e simplesmente desaparecer ? Para que evoluir então ? Dizem os monoteístas que não iremos desaparecer, mas iremos viver integrados ao Uno, e para tentar justificar essa afirmação ilógica, inventam um monte de teorias complexas que não levam a lugar algum, desviando a atenção da verdade.
Sem essa deturpação monoteísta, a verdade é que na etapa final iremos nos tornar tal qual os Deuses! Não iremos nos reintegrar a nada, pois nossa mente será tão desenvolvida que iremos habitar junto com os Deuses, auxiliando-os na tarefa de manter a Ordem Cósmica. Não seremos mais o efeito de causas divinas. Ao contrário, nós seremos as causas divinas ao final da jornada.
Dessa forma, a deturpação monoteísta priva o ser humano de seu destino final, que é se tornar divino, morando e trabalhando junto aos Deuses.
A deturpação monoteísta limita o desenvolvimento humano até o Hagar Fjoll Baldher, ou seja, até a vivência da Unidade Cósmica. Quando digo Unidade Cósmica estou me referindo à percepção de que tudo está relacionado, formando um TODO em equilíbrio. Os monoteístas deturparam esse conceito dizendo que o TODO é a mente única de seu falso deus monoteísta. Dessa forma, a deturpação monoteísta não prepara o Iniciado para a travessia do Hagar Fjoll Bifrost, o que faz com que o pobre coitado venha de fato a desaparecer ao atingir o Ginungagap!
Sem a deturpação monoteísta o Hermetismo iria preparar o Iniciado para que o mesmo pudesse atravessar o Bifrost. Dessa forma, ao chegar ao Ginungagap, sua Verdadeira Vontade estaria forte o suficiente para que ele renascesse em Asgard, morando junto aos Deuses como um Deus.
Comparando a Árvore da Vida Cabalística com o Triu Aiws, é como se Kether estivesse ao nível do Hagar Fjoll Bifrost, pois a deturpação monoteísta impede que se veja o que está acima do Bifrost. Dessa forma a deturpação monoteísta no Hermetismo impede que o ser humano consiga ver e chegar ao Mundo Divino, abortando a jornada do Iniciado no Bifrost!
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Como os Deuses Agem em Nossa Vida
Todo mundo sabe o que é um transformador elétrico, bastando para isso olhar para os postes da companhia de fornecimento de energia elétrica na rua. Tais transformadores transformam a alta tensão dos postes nos 110/220V que vão para as residências. E o que isso tem haver com os Deuses ?
De acordo com o eletromagnetismo, uma corrente elétrica gera um campo magnético com a mesma frequência da corrente elétrica que o gerou. Por outro lado, um campo magnético variante no tempo gera uma corrente elétrica com a mesma frequência do fluxo magnético que a gerou. Eis o princípio básico de um transformador!
Sem entrar em detalhes técnicos, um transformador é composto por um núcleo, feito de algum material metálico que seja um bom condutor de fluxos magnéticos. Se fossemos fazer um transformador caseiro, uma barra de ferro poderia ser o núcleo de nosso transformador.
Nesse núcleo metálico estão enroladas duas bobinas de fio condutor, isoladas eletricamente uma da outra. Vamos chamá-las de bobina primária e bobina secundária. Nos transformadores das ruas, a primária seria a de alta-voltagem, enquanto a secundária é a que vai para as nossas residências.
Digamos que uma corrente elétrica passe por uma das bobinas. Vamos, por exemplo, considerar que a corrente elétrica passe pela bobina primária. Como as duas bobinas estão isoladas eletricamente, a corrente da bobina primária não passa pela outra bobina. Mas essa corrente elétrica gera um campo magnético, de mesma frequência, na barra de ferro, ou seja, no núcleo do transformador. Tal fluxo magnético se propaga pela barra de ferro, passando pelo centro da bobina secundária. Tal campo magnético induz uma corrente elétrica na bobina secundária, de mesma frequência do fluxo magnético, que por sua vez possui a mesma frequência da corrente elétrica no primário. Eis a mágica! Uma corrente elétrica numa das bobinas induz uma outra corrente elétrica na outra bobina, de mesma frequência, mas com amplitudes diferentes.
Nossa relação com os Deuses é parecida. Ao cultuá-los, a energia divina se infunde em nós, e isso acaba por despertar qualidades que já possuímos, porém estão adormecidas. Tais qualidades são desenvolvidas pela energia divina, da mesma forma que uma corrente elétrica é induzida na bobina secundária pelo fluxo magnético criado pela corrente da bobina primária.
Dessa forma, o que vemos e sentimos não são os Deuses, e sim um reflexo dos mesmos em nós mesmos. O que vemos e sentimos são facetas de nossa própria personalidade que encontram correspondência com determinado Deus, ou Deusa, cultuado(a). Assim sendo, quando a energia desse Deus, ou Deusa, se infunde em nós, tal faceta de nossa personalidade entra em ressonância com essa energia divina. Isso a desperta, desenvolvendo-a e fazendo com que tomemos consciência dela. É como no transformador elétrico! Os Deuses são a bobina primária, cuja corrente elétrica gera um campo magnético, que seria a energia divina. Tal fluxo magnético, por sua vez, induz uma corrente elétrica no secundário, de mesma frequência da corrente elétrica no primário. Nós somos a bobina secundária e, portanto, o que vemos e sentimos é a nossa corrente elétrica, ou seja, é a corrente elétrica induzida no secundário. Nós não vemos e nem temos contato com a corrente elétrica do primário!
Um transformador, porém, é bidirecional, ou seja, se ao invés de colocarmos uma fonte de tensão no primário, colocarmos no secundário, estaremos gerando uma corrente diretamente na bobina secundária e, seguindo o mesmo processo eletromagnético descrito antes, essa corrente no secundário irá induzir uma outra corrente no primário, de mesma frequência, mas amplitude diferente. Ao cultuarmos os Deuses, nossos pensamentos e emoções são as correntes geradas na bobina secundária. Dessa forma, os Deuses conseguem sentir o que queremos, recebendo a nossa energia e, se ficarmos receptivos, conseguiremos sentir e receber a resposta divina.
Pensando bem, é dessa forma que funciona o princípio básico da meditação, ou harmonização, com os Deuses. Há uma etapa ativa, através da qual fazemos determinados movimentos, emitimos determinados sons e, com nossa mente, criamos determinadas imagens mentais, o que nos desperta certas emoções! Isso tudo junto é a corrente elétrica gerada na bobina secundária. Porém, em seguida, é essencial vir a etapa passiva, na qual criamos um vazio mental e simplesmente ficamos receptivos. E é somente nessa segunda etapa, onde ficamos passivos e receptivos, que poderemos sentir e perceber a resposta Divina. Isso corresponde a retirarmos a fonte de tensão do secundário. Dessa forma, a corrente que circular no secundário será proveniente exclusivamente da indução ocasionada pela corrente na bobina primária, livre de qualquer ruído ou interferência!
Isso também ilustra o fato de que nada acontece por “milagre”. Ou seja, os Deuses não resolvem os nosso problemas, pois nós mesmos temos que resolvê-los. Não adianta orar para que, por intervenção Divina, consigamos determinada coisa, pois isso não existe. Sem nossos próprios esforços, não conseguiremos nada, pois “milagres” não passam de “fantasias infantis”!
O que pode, e deve, acontecer é pedirmos auxílio aos Deuses, para que possamos resolver os nossos próprios problemas. Os Deuses nos ajudam dando-nos sabedoria, intuição e força. Eles nos guiam, mostrando-nos o caminho a seguir e nos dando inspiração para que possamos ter força suficiente para seguir por esse caminho. Em outras palavras, os Deuses nos auxiliam nos dando a espada, o cavalo, a sabedoria para utilizá-los e a inspiração. Mas seremos nós mesmos que teremos que ir para a batalha lutar para vencer a guerra! Afinal de contas, a luta é nossa, e não dos Deuses, logo, somos nós que teremos que vencê-la! Da mesma forma, no caso do transformador, ao acendermos uma lâmpada em nossa casa, não é a corrente da bobina primária que a acende, e sim é a corrente elétrica da bobina secundária que acende a lâmpada!
Nossa relação com os Deuses é como a Runa Gebo descreve, ou seja, é uma troca. A nossa energia se funde com a dos Deuses, é um trabalho de simbiose, onde cada um faz a sua parte. Os Deuses recebem a nossa energia através de nossa devoção e, por outro lado, recebemos a energia Divina através do êxtase e da inspiração. Os Deuses nos mostram o caminho e nos dão as respostas e nós, por outro lado, temos que retribuir através de nossas ações, colocando em prática o conhecimento que nos foi passado por inspiração Divina! Ambos somos engrenagens que põe a funcionar a mesma máquina, chamada Cosmos!
E o que é o material ferromagnético que forma o núcleo de nosso transformador ?
Afinal de contas, sem um núcleo eficiente, o fluxo magnético pode chegar fraco até a bobina secundária, induzindo uma corrente muito fraca ou, dependendo do caso, não induzindo corrente alguma no secundário. Dessa forma, o núcleo é o responsável pelo acoplamento magnético entre as duas bobinas. E no caso da relação entre nós e os Deuses, o que seria esse núcleo ?
É nossa Fylgja. É ela a responsável por nos conectar com os Deuses. Quanto mais desenvolvermos a nossa Fylgja, mais forte será a nossa relação com as Divindades. Da mesma forma que é através do núcleo ferromagnético que as bobinas do transformador conseguem induzir correntes elétricas uma na outra, é através de nossa Fylgja que nós conseguimos nos comunicar com os Deuses. Afinal de contas, é nossa Fylgja que nos carrega até Asgard!
Com uma Fylgja pouco desenvolvida, nossa comunicação com os Deuses é quase nula. Seria a mesma coisa que um transformador com um núcleo plástico. Quase nada do fluxo magnético gerado pelo primário iria chegar no secundário, produzindo uma corrente induzida desprezível, quase nula.
Quanto mais desenvolvermos a nossa Fylgja, mais irá crescer a nossa conexão com os Deuses. Assim sendo, uma Fylgja bem desenvolvida garante uma boa comunicação com os Deuses. Da mesma forma, um núcleo magneticamente eficiente garante que grande parte do fluxo magnético gerado pela bobina primária chegue até a bobina secundária, induzindo uma corrente elétrica maior na mesma.
domingo, 22 de novembro de 2009
Vodan ( Poema )
Vodan, dos nove mundos é o Senhor,
Vodan, que de Asgard é rei,
Vodan, de ti vem o êxtase e o furor,
Vodan, a quem fidelidade jurei.
Foi no poço de Mimir,
Que de suas águas quis beber,
E para isso conseguir,
Um de seus olhos teve que ceder.
A troca efetuada,
Caolho Ele ficou,
Mas a visão foi aumentada,
Pois a consciência multiplicou.
Além da aparência,
Agora Ele enxerga,
Das coisas, a essência,
Agora Ele penetra.
Vodan, dos nove mundos é o Senhor,
Vodan, que de Asgard é rei,
Vodan, de ti vem o êxtase e o furor,
Vodan, a quem fidelidade jurei.
Na Yggdrasil se enforcou,
Oh grande Deus sacrificado,
Por nove dias ao vento balançou,
Pelas intempéries fustigado.
Com grande força de vontade,
Não se entregou ao sofrimento,
Sempre em busca da Verdade,
Até o último momento.
E no momento derradeiro,
quando a morte o visitou,
das runas um mestre verdadeiro,
Ele se tornou.
A Luz se apagou,
E o caos imperou,
Mas quando Ele ressuscitou,
A Luz mais forte brilhou!
Vodan, dos nove mundos é o Senhor,
Vodan, que de Asgard é rei,
Vodan, de ti vem o êxtase e o furor,
Vodan, a quem fidelidade jurei.
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Disir ( Poema )
Boa sorte Elas trarão,
Pois se estão a te sorrir,
Podes contar com proteção.
Mas prestes bem atenção,
Se não há sangue na visão,
Pois se isso acontecer,
É sinal que vais morrer!
Espíritos ancestrais,
Te ajudam a nascer,
Espíritos celestiais,
Te ajudam a vencer.
Se aparecerem as Disir,
Saberás o que vai acontecer,
Pois se conselhos pedir,
A Verdade Elas vão fornecer.
Conosco Elas sempre estão,
Desde a hora de nascer,
E são Elas que nos acolherão,
No momento de morrer.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Sacrifício de Odin
Esse episódio da Tradição Nórdica refere-se ao auto-sacrifício de Odin na Yggdrasil, onde ficou enforcado por nove dias e nove noites a fim de obter os segredos das runas e dos nove mundos. Foi na nona noite que ele morreu e ressuscitou, obtendo assim a sabedoria das runas e de todo o Cosmos.
Mas foi durante esse período caótico que Odin, liberto de seu corpo, viajou pelos nove mundos e obteve, livre das limitações do tempo e do espaço, todo o conhecimento do Universo. Compreendeu o mistério das runas, tornando-se mestre das mesmas. E ao adquirir esse conhecimento, ressuscitou mais forte e mais sábio do que nunca. Yggdrasil brilhou com uma luz tão intensa que expulsou de vez todas as forças do caos da Terra. . É o retorno da Luz Divina, quando Odin descobriu os segredos das runas, afastando de vez as trevas diante da Luz Divina de Odin.
E da mesma forma que Odin morreu e ressuscitou com o conhecimento das runas, quando tudo nos parecer perdido e sem esperança, uma luz finalmente irá brilhar e nos iluminar o caminho. Apesar de todas as dificuldades, temos que manter nossos objetivos em mente, pois dessa forma nossos esforços finalmente serão recompensados. Se nossos objetivos são justos, depois da tempestade o céu finalmente vai clarear, e as coisas começarão a dar certo, nos aproximando cada vez mais de nossas metas.
sábado, 10 de outubro de 2009
Cosmogênese Nórdica e a Árvore da Vida Cabalística
O Ginnungagap, Musphel e Niphel são completamente incompatíveis, não fazem parte da mesma essência e sempre existiram. Apesar de incompatíveis, fagulhas de Musphel voaram através do Ginnungagap em direção a Niphel, enquanto a névoa gelada de Niphel invadiu o Ginnungagap, indo em direção a Musphell. Quando o Fogo de Musphell se encontrou com o Gelo de Niphell, no meio do Ginnungagap que os separava, houve uma reação que conciliou os dois opostos, dando origem ao Gigante Ymir. Por sua vez, Ymir deu origem à raça dos Gigantes, que foram os primeiros seres a habitarem o Cosmos recém-criado. Porém não era o Cosmos que conhecemos, pois ele estava envolto no Caos.
Dessa forma, a Unidade nunca existiu de fato. O que é eterno é a Trindade, ou seja, duas forças extremas e opostas, representadas por Musphell e Niphell, as quais encontram-se separadas por uma terceira potência, representada pelo Guinnungagap, que é o Vácuo Absoluto. Apesar do Vácuo Original separar os pares de opostos extremos, é o próprio Ginnungagap que também serve de intermediário entre os opostos, conciliando-os na criação do Cosmos, representado pelo Gigante Ymir.
Esse Universo, porém, não era o Universo conhecido atualmente. Era um mundo caótico e desprovido de ordem, pois para que haja ordem é necessária a ação de uma inteligência, coisa que não existia. Esse estado desorganizado é representado pelo Gigante Ymir e sua prole, numa época em que ainda não existiam as Leis da Natureza conforme existem hoje, pois as mesmas ainda não tinham sido formuladas.
Em meio a esse Caos nasceram, filhos de um casal de Gigantes, os três primeiros Deuses Aesires: Odin e seus dois irmãos, Vili e Vê. Esses três Deuses não gostavam do Caos em que viviam e, portanto, mataram o Gigante Ymir, pois Odin queria implantar a ordem e, com isso, propiciar o progresso das futuras criaturas que iriam habitar o Universo. Com isso, a prole de Ymir morreu toda afogada no sangue do Gigante Primordial. Os poucos Gigantes que restaram foram expulsos do Cosmos, fugindo para Jotumheim, a Terra dos Gigantes, que fica no limite do Universo com o Nada Absoluto.
E do corpo do Gigante Ymir os três Aesires Originais fizeram o Cosmos como existe hoje em dia, sendo que Odin ficou sendo o Rei de Asgard, ou seja, Rei dos Aesires.
Isso ilustra a passagem do caos para a ordem, e como Odin veio a se tornar o Rei dos Aesires, pode-se considerar esse fato como um indício de que o mentor intelectual dessa façanha foi Odin, auxiliado pelos seus dois irmãos, que o ajudaram a colocar o seu plano em prática.
Foi Odin quem arquitetou o Universo, criando as leis da natureza e organizando o Cosmos, fazendo-o funcionar como uma máquina perfeita, seguindo regras constantes e imutáveis. Odin é a Mente Cósmica por detrás de todo o universo. Dessa forma, Odin é o Grande Arquiteto do Universo.
O G.’.A.’.D.’.U.’. é o Deus Odin, pois foi ele o mentor intelectual do Cosmos, mas Odin não é o único Deus que existe. Apesar dele ser o mentor intelectual, foi auxiliado pelos seus dois irmãos, os Deuses Vili e Vê.
Odin dividiu o Cosmos em Nove Mundos, sendo todos eles interligados pela Yggdrasil, a árvore que dá suporte ao Universo. Em resumo, esses nove mundos são:
a-) Asgard, a Terra dos Deuses Aesires, onde o Deus Odin é o rei.
b-) Alfheim, Terra dos Elfos de Luz, onde o Deus Frey é o rei.
c-) Midgard, é onde nós humanos vivemos.
d-) Jotunheim, é a Terra dos Gigantes
e-) Vanaheim, é a Terra dos Deuses Vanires.
f-) Musphelheim, é o próprio Musphell, ou Terra do Fogo.
g-) Niflheim, é o próprio Niphell, ou Terra do Gelo.
h-) Svartalfheim, a Terra dos Elfos Escuros
i-) Nidavellir, Terra dos Anões, fica abaixo de Midgard
Numa região de Niflheim fica um lugar conhecido como Hel, a Terra dos Mortos, cuja rainha é a Deusa Hella.
Essa é a cosmogênese de acordo com o Paganismo Nórdico. Resolvi, então, comparar os elementos do Paganismo Nórdico com outras Tradições, como o pitagorismo, pois tal filosofia influenciou fortemente o pensamento ocidental. De acordo com Pitágoras, a base do Universo são os números, pois eles são a essência de tudo. Foi Pitágoras quem inventou o termos Kosmos, que significa princípio ordenador, onde tudo tende à harmonia. Por isso mesmo os pitagóricos costumavam se referir ao Geômetra do Universo, pois tudo no Cosmos era explicado por relações numéricas, pensamento que os cabalistas iriam retomar cerca de mil anos depois, e a ciência oficial bem mais tarde!
Para os seguidores de Pitágoras todo o Universo era explicado pela Tetraktys Sagrada, que eram os números de 1 a 10. Esses dez números eram os responsáveis por explicar tudo o que existia, filosofia parecida com a dos cabalistas da Idade Média, que chamaram os números de 1 a 10 de sephirat, ou esferas, e chamaram esse esquema de Árvore da Vida (Otz Chiim), da mesma forma que os pitagóricos fizeram com a Tetraktys Sagrada na Antiguidade.
Já que é assim, vou tentar montar um esquema baseado em Dez Esferas de Influência, e vou chamá-lo de Árvore da Vida Nórdica, obtendo parte de minha inspiração no trabalho do Frater Oxi Ziredo, denominado “ Aigin Handugei”. Afinal de contas, de acordo com Lavoisier: “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”...
A Árvore da Vida Nórdica
Na árvore nórdica não houve um início, pois Ginnungagap, Musphell e Niphell sempre existiram. Já para os pitagóricos, o Uno, ou Fogo Central, era a origem de todos os números, assim como para a Cabala o inicío ocorre com a emanação da sephirat número UM, chamada Kether. Para Pitágoras o Uno se manifesta através do Dois e se conscientiza através do Três, o que pode ser apreendido quando os cabalistas dizem que de Kether foi emanada Chokmah, e de Chokmah foi emanada Binah, formando as três sephirot superiores. Essas Três Sephirot Superiores constituem o Mundo dos Arquétipos, o qual pode ser entendido como sendo o Mundo da Idéias, preconizado por Platão séculos antes, na Antiguidade.
Só que os cabalistas tinham um problema, pois se a primeira sephirat foi emanada, é sinal de que existia algo anterior à própria existência, e apesar de se querer explicar o que havia antes de Kether, não tinham como fazê-lo
Portanto, na árvore cabalística existem os 3 Véus da Existência Negativa. Na árvore nórdica isso não existe. Eis a primeira diferença. Na árvore nórdica não há nada desconhecido, pois tudo está representado na mesma.
O desconhecimento do que existia antes do início, simbolizado pelos Véus da Existência Negativa, foi substituído pela existência eterna do Ginnungagap, de Musphell e de Niphell, que embora sejam nomeados, também são estados de existência impossíveis de serem imaginados pela mente humana, pois são estados de existências extremas (Vácuo Infinito, Calor e Expansão Infinitos, Frio e Constrição Infinitos). Sendo tais elementos completamente transcendentais, vou considerar que o Mundo das Idéias Arquetípicas seria formado por eles. Dessa forma, a Primeira Esfera corresponderia ao Ginnungagap, a Segunda Esfera corresponderia a Musphell e a Terceira Esfera corresponderia a Niphell.
Para os seguidores de Pitágoras, o Cosmos era formado pela harmonia entre pares de opostos, que eles dividiam entre números pares e infinitos de um lado, e números ímpares e finitos do outro, conceito esse que os cabalistas da Idade Média representaram através da segunda e da terceira sephirat, sendo Chokmah a Potência Masculina e Positiva ao Infinito e Binah a Potência Feminina e Negativa ao Infinito.
Tal qual na Kether cabalística, no Ginnungagap todo o Universo já existia em potencial. Mas ao contrário da Kether cabalística, Ginnungagap não representa a Unidade, pois tal Unidade nunca existiu. Dessa forma o Cosmos não foi emanado do Ginnungagap. As coisas já existiam em potencial no Grande Vazio porque foi ele o pano de fundo que propiciou com que Musphell reagisse com Niphell, gerando, dessa conciliação de opostos, o Universo.
Além do mais, de acordo com a Cabala, o Cosmos existe da forma que conhecemos atualmente devido a decisões tomadas em Kether. Ou seja, tudo o que existe foi pré-definido e originado na primeira sephirat. Mas de acordo com a Árvore Nórdica, o Cosmos como existe hoje foi originado por Odin, o Pai Excelso, pois foi Ele quem ordenou o caos e instaurou a ordem, auxiliado por seus dois irmãos. Como Grande Arquiteto do Universo, foi Odin quem formulou as leis da natureza e da ordem cósmica e, portanto, tudo o que existe foi pré-definido e originado por Odin. Ora, isso está de acordo com a definição cabalística do que deveria ter ocorrido na primeira Esfera de Influência e, portanto, eu me sinto à vontade de colocar Odin como representante atual das forças de Ginnungagap. Afinal de contas, foi Odin quem coordenou as forças originadas pela interação entre Musphell e Niphell, formulando como deveria ser o Cosmos, sendo que tais forças se originaram no Ginnungagap. É como se o Pai Excelso fosse a mente que despertou no que era o Grande Vazio, agora preenchido de matéria e energia, a fim de ordenar esse caos e formar um Cosmos regido pela ordem e pelo progresso.
Resumindo, com a interação entre as forças de Musphell com as de Niphell, o Ginnungagap foi preenchido pelo Caos, que devido a iniciativa e planejamento de Odin, esse Caos foi transformado em Ordem, originando o Cosmos, que por ser regido por regras fixas e imutáveis propicia o progresso de todos os seres que nele vivem e se desenvolvem. E como Odin é o Rei de Asgard, nada mais natural do que considerar Asgard no nível da Primeira Esfera-Ginnungagap, o nível mais alto a que a compreensão humana pode chegar, habitado pelos Deuses e pelos heróis valorosos.
A Criação e a Unidade
Os discípulos de Pitágoras diziam que o Cosmos foi formado pela harmonização entre os opostos, pensamento esse que foi ilustrado e desenvolvido na Cabala, a qual diz que foi da interação entre Chokmah e Binah que surgiu o Universo tal qual conhecemos, sendo o Cosmos a manifestação resultante da conciliação entre pares de opostos. De acordo com essa linha de pensamento, a primeira coisa a se manifestar foi a sephirot Oculta e sem número, Daath, que raramente aparece nos esquemas da Árvore da Vida Cabalística, e quando aparece é desenhada com linhas pontilhadas. E da mesma forma que no caso da cosmogênese nórdica, Daath representa o estado de Caos inicial, estado esse que foi ordenado pelo G.'.A.'.D.'.U.'., sendo que esse processo de ordenação é representado pela emanação das outras sete sephirot que compõem a Otz Chiim. E talvez seja por isso que Daath não apareça tradicionalmente na Árvore da Vida Cabalística, pois a ordem cósmica é representada pelas Dez Sephirot tradicionais, numeradas de Um até Dez (alguém lembrou da Tetraktys Sagrada de Pitágoras?). E como o Cosmos encontra-se atualmente ordenado, Daath deixou de existir nesse esquema de Ordem. Ela é apenas uma sephirat intermediária entre o Mundo das Idéias Arquetípicas das Três Sephirot Superiores e o Cosmos perfeitamente ordenado e manifestado, representado pelas Dez Sephirot Tradicionais que compõem a Otz Chiim. E por representar o Caos Inicial, Daath também é a conexão com as Qliphot, ou seja, as representações das sephirot em desequilíbrio.
Portanto, já podemos perceber que, em nossa Árvore Nórdica, a Esfera Intermediária também existe, pois a primeira coisa a se manifestar com a conciliação das forças opostas de Musphell e Niphell foi o Gigante Ymir, representação do Universo Caótico Primordial, ou seja, o que em Thelema se chama o Grande Abismo.
E nesse ponto vem a inovação: a Esfera Intermediária seria a representação da Unidade! Ela representaria a Unidade da Criação, pois o Cosmos é um só. Tudo o que existe encontra-se ligado com o Todo, formando uma grande rede cósmica, interligando tudo através das mesmas leis da natureza, leis essas que foram formuladas por Odin e que mantém a ordem cósmica.
Por ser intermediária, todo o indivíduo que pretende trilhar o caminho da Iluminação terá que passar, mais cedo ou mais tarde, por essa Esfera de Influência. Ela é o Abismo profundo e tenebroso que separa o mundo da manifestação que conhecemos do mundo divino que está além da nossa compreensão atual.
Como essa Esfera de Influência representa a Unidade, ela está acima do mundo das dualidades, representado pelas sete Esferas de Influência inferiores. O mundo das dualidades é o nosso mundo, dividido entre pares de forças opostas não conciliadas e desequilibradas. Enquanto permanecermos no mundo ilusório das dualidades, estaremos em desequilíbrio e, portanto, estaremos sobre influência de forças externas e completamente fora de nosso controle. Seremos joguetes do destino e escravos da ignorância. Isso ocorre porque se mantermos os opostos não conciliados dentro de nós mesmos e em nossas vidas, estaremos refletindo o estado primordial, com Musphell separado de Niphell pelo Ginnungagap, e isso representa a Não Manifestação. Dessa forma, mantermos os opostos desequilibrados e não conciliados significa que vivemos num Grande Vazio Interior, pois a nossa Verdadeira Essência ainda não se manifestou nesse mundo.
Ao conciliarmos os opostos dentro de nós mesmos e em nossas vidas, estaremos manifestando a nossa Verdadeira Essência no mundo, pois teremos atingido o Abismo e, portanto, estaremos refletindo a interação de Musphell com Niphell na criação do Cosmos. Mas lembrem-se que o Abismo é profundo e tenebroso, e ao entrarmos nele poderemos ficar perdidos em suas trevas. Extasiados com a Unidade, poderemos ficar reféns de nosso próprio ego, que com sentimentos egoístas nos impede de prosseguir.
Da mesma forma que a primeira coisa a se manifestar com a interação de Musphel e Niphell foi o Universo Caótico do Gigante Ymir, a primeira coisa a surgir com a conciliação dos opostos será o Caos Interior, onde enfrentaremos os nossos medos e as nossas ilusões. Será um novo estado mental completamente desconhecido e, portanto, ainda sem controle, com uma grande confusão interior ocasionada pelo fato de estarmos adentrando num mundo completamente além de nossa capacidade intelectual atual. As dúvidas que nos ligam ao mundo das dualidades irão nos perseguir e nos tentar. Além disso, sempre que entramos em algo novo, sem conhecimento e experiência, nos sentimos confusos e, se a confusão for muito grande, corremos o risco de perder o controle e simplesmente enlouquecer em meio ao Caos. Afinal de contas, para aprender a andar de bicicleta teremos que levar alguns tombos!
Porém, com a ajuda de Odin, teremos o discernimento, a disciplina e a vontade necessários para colocar os nossos pensamentos e sentimentos em ordem. Tal qual o Pai Excelso que organizou o Caos original, nós iremos descobrir a nossa Verdadeira Vontade e, com isso, instaurar a Ordem em nosso interior e, dessa forma, tendo pleno controle da situação, iremos conseguir cruzar o Abismo, rumo a Asgard, no mundo das Três Esferas Superiores. Daí sim iremos manifestar a nossa Centelha Divina, pois estaremos refletindo, a nível pessoal, o que Odin fez a nível macrocósmico na criação do Universo: estaremos implantando a Ordem no caos, a fim de obtermos o progresso. E como dizem na maçonaria: com o auxílio do G.'.A.'.D.'.U.'. iremos transformar a nossa pedra bruta em pedra polida.
É somente cruzando a Esfera Intermediária e passando pelas provações do Abismo é que conseguiremos sair do mundo atual das dualidades para adentrarmos em Asgard, a morada dos Deuses. Na mitologia nórdica, o único caminho que liga Midgard à Asgard é a Ponte Bifrost, também conhecida como Ponte do Arco-Íris. E protegendo os portões de Asgard, ao término do Bifrost, está o Deus Heimdallr, que só deixa passar aqueles que são dignos de entrar. A função de Heimdallr é impedir que os Gigantes e as pessoas indignas consigam entrar em Asgard. Dessa forma, o Deus associado a essa Esfera é Heimdallr, que só deixa passar aqueles que conseguirem por ordem em seu caos interior.
A Esfera Intermediária-Heimdallr é o ponto no meio do círculo, pois tudo o que existe atualmente teve lá a sua origem, pois é dali que as forças constantemente geradas pela interação entre Musphell e Niphell passam para o Cosmos que conhecemos. Além do mais, todos que pretendem alcançar Asgard terão que se dirigir para a Esfera Intermediária-Heimdallr, para que com o auxílio de Odin possam tomar posse de sua Verdadeira Vontade e finalmente cruzar o Bifrost, indo habitar com os Deuses.
As Esferas Abaixo do Bifrost
Continuando a minha análise, vou divagar um pouco sobre o restante da Árvore Nórdica, analisando rapidamente cada uma das sete Esferas restantes.
a-) Esfera da Construção-Thor
(Obs.: Esta esfera de influência, aprendida pelos pitagóricos sob outros nomes, foi chamada pelos cabalistas muito tempo depois de Chesed.)
É nessa Esfera de Influência que os planos divinos formulados por Odin estão esquematizados, pois as Forças dessa Esfera é que são responsáveis pela manutenção do Cosmos. Uma vez que o Universo foi criado, é a Esfera de Formação a responsável por manter a ordem no mesmo, certificando-se de que o esquema original continue funcionando.
Ela também representa as forças construtivas do Cosmos e, portanto, responsável pela prosperidade. Além disso, essa Esfera também representa a Misericórdia, atuando no consolo e proteção dos mais necessitados.
Essa Esfera é regida pelo Deus Thor. Thor é filho de Odin com Jord, Deusa da Terra. Thor é um Deus da natureza, do trovão e da fertilidade, pois é o responsável pelas chuvas que fertilizam a Terra e, portanto, está relacionado com as forças construtivas do planeta que propiciam a prosperidade do povo, através de terras férteis.
Enquanto o seu pai Odin era adorado pelos reis, nobres e guerreiros, Thor era mais adorado pelos agricultores e pelo povo mais humilde, pois Thor era o Deus responsável pela proteção dos mais fracos e, dessa forma, compatível com a Misericórdia.
Thor também era o campeão de Asgard, o inimigo número um dos Gigantes e defendia a Terra de todos os ataques dos terríveis Jotuns, que eram os Gigantes que viviam em Jotunheim. Como os Gigantes representam as Forças do Caos, a constante luta de Thor contra os mesmos significa que Thor é uma força ativa na manutenção da Ordem pré-estabelecida por Odin, o que está de acordo com as características dessa Esfera. Odin, o G.’.A.’.D.’.U.’., estabeleceu a Ordem matando e expulsando os Gigantes, e Thor mantém essa Ordem impedindo que os mesmos retornem para a Terra.
b-) Esfera da Destruição–Tir
(Obs.: Esta esfera de influência, aprendida pelos pitagóricos sob outros nomes, foi chamada pelos cabalistas muito tempo depois de Geburah.)
Essa Esfera é oposta a Esfera da Construção e representa as Forças de Destruição. Tudo o que está em desequilíbrio é destruído por ação dessa Esfera. Dessa forma, essa Esfera garante que tudo que tenha dado errado possa ser concertado. Ela também é chamada de esfera da Severidade e Justiça, pois ela representa a Justiça Cósmica, sempre imparcial e punindo aqueles que transgridem as leis da natureza.
Por isso essa Esfera estaria associada ao Deus Tir, Deus da guerra, das atividades bélicas, da justiça, da severidade e da honra. Os guerreiros, antes de irem para a guerra, invocavam os Deuses Tir e Odin. Assim como Odin, Tir também recebia sacrifícios em agradecimento a uma batalha vencida.
Era costume entre alguns povos nórdicos da Antiguidade realizarem julgamentos invocando-se a presença de Tir. Fazia-se uma fogueira e as partes em contenda invocavam a presença de Tir para que o Deus fizesse justiça e indicasse o culpado. As partes em litígio tinham, então, que colocar a mão na brasa, em óleo ou em água fervendo. Tir, Deus da justiça, iria dar força e coragem ao justo, e ia fazer com que seus ferimentos fossem leves. Por outro lado, com sua severidade iria punir o culpado, ocasionando um medo e uma covardia tão grande que faria com que o infeliz desistisse do julgamento, o que serviria como ato de confissão da culpa. Mas se o coitado insistisse em continuar com a cerimônia, Tir provocaria dores e ferimentos tão atrozes no culpado que ele não resistiria e confessaria o crime de que era acusado. É daí que surgiu a frase: “Eu ponho a mão no fogo como é verdade”.
c-) Esfera do Equilíbrio–Baldhur
(Obs.: Esta esfera de influência, aprendida pelos pitagóricos sob outros nomes, foi chamada pelos cabalistas muito tempo depois de Tipharet.)
Essa Esfera representa o equilíbrio entre as forças de construção e destruição do Cosmos, representa a manifestação perfeita, pois ela é o que equilibra e harmoniza todas as forças que agem na Árvore da Vida. Nela os pares de opostos se equilibram em perfeita harmonia, propiciando a manifestação da Luz Espiritual em sua maior beleza. Por isso um de seus símbolos é o Sol, pois aquele que consegue o equilíbrio interior faz sua Centelha Divina brilhar na Terra. Quem atinge essa Esfera se ilumina com a Luz Divina e abandona a velha vida para renascer uma nova pessoa. Portanto ela também representa a morte e o renascimento necessários para se atingir a maestria.
Ao cruzar o Bifrost, na Esfera Intermediária, nós transcendemos o mundo da dualidade e da dúvida, nos tornando integros e plenamente cientes de nossa natureza divina. Porém é na Esfera do Equilíbrio onde ocorre a preparação prévia para se prosseguir rumo ao Bifrost, pois é aqui que conseguimos deixar as forças opostas que agem em nós em perfeito equilíbrio. Se tentarmos cruzar o Abismo com as forças desequilibradas, Heimdallr irá intensificar essas forças ao infinito e, como resultado do desequilíbrio inicial, seremos despedaçados. Mas se tentarmos cruzar o Bifrost com as forças previamente equilibradas na Esfera do Equilíbrio, quando tais forças forem intensificadas ao infinito o equilíbrio perfeito resultará na manifestação de nossa mais pura Essência, a qual deverá ser ordenada pela nossa Verdadeira Vontade, a fim de que possamos seguir rumo a Asgard.
Portanto eu considero que essa Esfera é regida pelo Deus Baldhur, filho do Deus Odin com a Deusa Frigga. Baldhur é o deus da pureza e da harmonia. Baldhur é o Deus responsável pela conciliação das partes em confronto e, por sua atitude equilibrada e justa, é considerado o Deus da paz. Baldhur é o Deus capaz de harmonizar as forças conflituosas em nosso interior, nos propiciando atingir a Paz Profunda.
Baldhur também representa a Iniciação, pois ele também é considerado o Deus da morte e do renascimento, pois de acordo com o mito do Ragnarok, com a morte de Baldhur o mundo acaba, mas Baldhur irá renascer com um novo mundo de paz e harmonia.
d-) Esfera da Essência–Freya
(Obs.: Esta esfera de influência, aprendida pelos pitagóricos sob outros nomes, foi chamada pelos cabalistas muito tempo depois de Netzach.)
Essa Esfera representa os sentimentos e a essência de todas as coisas. Nela as forças que irão agir na formação do Cosmos já existem em essência, mas ainda não possuem uma forma definida. Essas forças são fluídicas, variando constantemente de forma. Não existem almas individuais, e sim almas grupo e, portanto, tais forças ainda são genéricas e não estão associadas a nenhuma forma ou representação específica. Por isso as forças sob ação dessa Esfera são justamente as emoções.
Dessa forma, a Deusa que rege essa Esfera é a Deusa Freya, irmã do Deus Frey e filha do Deus do mar Njord com a Giganta das montanhas Skadi.
Freya é a Deusa do amor e, portanto, tem pleno controle sobre as emoções humanas. Além do mais, ela controla a essência de todas as coisas, pois como mestra da arte do Seidhr, ela viaja pelos Nove Mundos e altera a realidade, manipulando a essência do próprio mundo material.
A Deusa Freya também é uma Deusa da fertilidade e, portanto, essa Esfera é responsável pela essência vital que se insufla na matéria, o que faz com que a vida seja um fenômeno a se manifestar por todo o Cosmos.
e-) Esfera da Forma–Loki
(Obs.: Esta esfera de influência, aprendida pelos pitagóricos sob outros nomes, foi chamada pelos cabalistas muito tempo depois de Hod.)
Essa é a Esfera da inteligência e do raciocínio, sendo o que dá forma às energias difusas da Esfera-Freya. A Esfera-Freya é a essência, enquanto a Esfera-Loki é a forma. Aqui as forças genéricas e indefinidas da Esfera-Freya tomam uma forma específica, criando uma individualidade própria. As forças não são mais fluídicas, pois aqui elas adquirem uma forma fixa. Loki representa o nosso intelecto, pois é ele que, através do pensamento lógico, transforma as nossa idéias e sentimentos abstratos em fatos palpáveis e úteis.
Sendo Loki, irmão adotivo de Odin, o Deus mais esperto e inteligente dos Nove Mundos, as forças dessa Esfera estariam sob regência do Deus Loki. Da mesma forma que o nosso intelecto puro, baseado somente na lógica, pode nos iludir e nos dar falsas idéias frente aos fatos complexos da vida, Loki também gosta de confundir e enganar as pessoas. Porém, sempre que Loki se encontra em situação ruim, ele usa de sua astúcia para reverter a situação e acaba saindo da mesma com vantagens úteis a ele e aos Deuses. Da mesma forma, quando nos encontramos em apuros, são as forças de Loki que fazem com que nosso intelecto ache uma saída proveitosa para nós.
f-) Esfera da Formação–Nornes
(Obs.: Esta esfera de influência, aprendida pelos pitagóricos sob outros nomes, foi chamada pelos cabalistas muito tempo depois de Yesod.)
Essa Esfera representa o Plano Astral, que é a base para a formação do plano terreno. Nela está a quinta-essência, que é a essência dos quatro elementos que irão formar o plano terreno, de acordo com os filósofos gregos. Embora a quinta-essência seja a base para a formação dos quatro elementos, ela não pertence ao plano material, porém tudo o que acontece no plano terreno é resultado das transformações que ocorrem no plano astral, representado por essa Esfera. Se algo se manifesta no plano terreno, é por que esse fato se manifestara antes no plano astral. Essa Esfera também representa o nosso subconsciente, pois da mesma forma que o plano astral é a base para as manifestações do plano terreno, o nosso subconsciente também é a base para a maioria de nossas ações e emoções.
Por isso quem rege essa Esfera são as Três Nornes. São elas as responsáveis por entrelaçar a rede do destino. São elas que definem, baseadas em nossas atitudes, quais devem ser as reações às nossas ações, pois elas levam em consideração a inter-relação entre todas as coisas do Universo. Tudo o que acontece no mundo ocorre porque foram as Nornes que teceram os fatos na teia cósmica.
Elas são três:
=> Urd, responsável por levar em consideração todos os atos do passado.
=> Verdandi: Baseado em todos os atos do passado, é a responsável por decidir o que ocorre no presente.
=> Skuld: Baseado nos atos do passado e do presente, é a responsável por decidir como as consequências desses atos tendem a se desenvolver no futuro.
Uma das formas de se tentar intuir as tendências para o futuro é através da meditação, que nos coloca em contato com as forças das Nornes que regem o nosso subconsciente.
g-) Esfera da Manifestação–Gerda e Frey
(Obs.: Esta esfera de influência, aprendida pelos pitagóricos sob outros nomes, foi chamada pelos cabalistas muito tempo depois de Malkuth.)
Essa é a décima Esfera, que corresponde ao mundo material propriamente dito. Ela representa a própria Terra.
Dessa forma, associei essa Esfera à giganta Gerda, esposa do Deus Frey, que é um Deus da fertilidade. Gerda está relacionada à terra e, portanto, representa as forças naturais que regem o mundo material. Por ser uma giganta, significa que as forças naturais são selvagens e difíceis de se manter sobre controle. Se deixadas agirem livremente, sem interferência da ação humana, a tendência é a destruição de qualquer vestígio da civilização com o passar do tempo. Cidades abandonadas viram ruínas e desaparecem com o passar dos séculos, devido à ação das forças naturais.
Porém, “onde está Gerda encontra-se Frey”. Dessa forma, a Esfera da Manifestação também é regida pela presença do Deus Frey, o que causa a fertilidade da Terra. É Frey o responsável por tornar a terra fértil e de vida abundante. É através da ação das forças do Deus Frey agindo sobre Gerda que desertos e regiões inóspitas podem se tornar áreas férteis e habitáveis.
Assim sendo, o Cosmos permanece em ordem graças à ação dos Deuses Aesires e Vanires, que impedem que os gigantes de Jotunheim invadam novamente o Universo, o que resultaria na implantação do caos.
Bibliografia:
1-) Manual Nórdico - O Texto Rúnico,
Autor: Grimmwotan Idavoll,
2-) The Mystical Qabalah
Autora: Dion Fortune
3-) Deuses e Mitos Do Norte Da Europa
Autora: H.R. Ellis Davidson
4-) Aigin Handugei
Autor: Frater Oxi Ziredo
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Minha Opinião sobre Chokmah
Características
Nome: Chokmah, que significa Sabedoria.
Representação Ocultista Tradicional:
Um homem de barbas.
No livro Sepher Yetzirah, é descrita pelo seguinte texto:
“O Segundo Caminho é chamado de a Inteligência Iluminadora. É a Coroa da Criação, o Esplendor da Unidade, igualando-a. É exaltada acima de tudo, e é chamada pelos Cabalistas de a Segunda Glória”
Títulos dados a Chokmah:
Poder de Yetzirah.
Ah.
Abba.
O Pai Celestial.
Tetragramaton.
Yod do Tetragramaton.
Nome Divino: Jehovah
Arcanjo: Ratziel
Coro Angélico: Auphanim
Energia Mundana: O Zodíaco.
Experiência Espiritual: A visão da Divindade face a face.
Quando em equilíbrio, suas forças manifestam as seguintes Virtudes:
Devoção.
Quando desequilibradas, suas forças manifestam os seguintes Vícios: -
Correspondências no Ser Humano:
A Face esquerda do rosto.
Símbolos:
O Lingam.
O Falo.
O Yod do Tetragramaton.
A Túnica Interior de Glória.
A Pedra de Base.
A Torre.
O Bastão de Poder.
A Linha Reta.
Cartas do Tarot: Os Quatro Dois
a-) Dois de Paus
Domínio.
b-) Dois de Copas
Amor.
c-) Dois de Espadas
Paz Restaurada.
d-) Dois de Ouros
Mudanças Harmônicas.
Descrição
Chokmah é a segunda sephirat. É um estado de existência que passou a existir logo após Kether, a primeira sephirat.
Em Kether nós temos a Unidade Primordial. Nela não há movimento, tudo é estático, pois lá as coisas simplesmente são. Para que o Cosmos pudesse se manifestar da forma que conhecemos, a Unidade Primordial teve que se dividir, pois o Um não pode interagir com nada, pois não havia nada além do Um. Dessa forma Kether deu origem a um par de opostos, surgindo assim a Dualidade. Havendo um par de opostos, tais opostos podiam interagir um com o outro, surgindo a ação e a manifestação de tudo o que conhecemos, pois tudo no Cosmos é o resultado da interação entre forças antagônicas e complementares.
Surgiram assim Chokmah, a segunda sephirat, de onde emanou Binah, a terceira sephirat, formando essas duas o par de opostos original, o qual originou todo o Universo. Apesar de serem antagônicas, ambas possuem a mesma essência, pois Binah e Chokmah representam os polos opostos da mesma essência emanada por Kether, onde ambas existiam sem dualidade.
Porém, ambas não surgiram simultaneamente. Se algo está em equilíbrio, esse estado não irá mudar nunca, permanecendo estático. Para que esse sistema em equilíbrio se modifique e evolua, é necessário causar um desequilíbrio inicial entre suas partes constitutivas. Dessa forma, com suas forças desequilibradas, esse estado inicial se modifica, suas partes se movimentam e se rearranjam, até atingirem uma nova configuração que irá restabelecer o equilíbrio entre todas as forças que o constituem. Mas nesse novo estado de equilíbrio o sistema não mais será como o sistema original. Será um novo sistema, um outro sistema, diferente do sistema original. E assim foi com o Cosmos.
De Kether emanou Chokmah, a Força em Expansão. Chokmah é Força desprovida de forma, é pura energia expansiva sem nada para contê-la. Chokmah foi o impulso inicial na formação cósmica, foi o “Fiat Lux” que tirou o Universo do equilíbrio estático original caracterizado por Kether. Chokmah representa a Vontade Divina querendo se manifestar. Se Kether pode ser representada pelo ponto, Chokmah pode ser representado pela linha reta, que é o ponto expandindo-se ao infinito, sem nada para contê-lo.
Porém no estado de Chokmah, sozinho, nada pode se manifestar, pois apesar da segunda sephirat representar a Dualidade, ela sozinha representa Força em desequilíbrio, que é justamente o que causa o impulso inicial propulsor das mudanças.
Esse estado de desequilíbrio só parou quando de Chokmah foi emanada Binah, a terceira sephirat, o oposto de Chokmah, a forma que iria conter a Expansão Infinita de Chokmah e trazer o equilíbrio novamente ao Cosmos que estava para se manifestar na forma que conhecemos.
Chokmah representa o princípio dinâmico do Universo, sendo o precursor de todas as mudanças. Na Árvore da Vida encabeça a Coluna da Direita, representando a polaridade positiva, ou masculina, de todas as Forças existentes no Cosmos. Porém Chokmah sozinha não tem como se manifestar, pois ela é Pura Atividade e Força elevadas ao Infinito, completamente sem forma, sendo que dessa maneira não há como se construir nada, pois mal uma formação começa a surgir ela já se desfez, pois é isso que Chokmah representa. É uma eterna mudança sempre em atividade. A manifestação só foi possível com a emanação de Binah, o oposto de Chokmah, que representa o princípio Negativo, ou Feminino, do Cosmos. E Expansão Infinita de Chokmah fecunda a Cosntrição Infinita de Binah. A forma inerte de Binah é vivificada pela Energia sem forma de Chokmah, o que faz com que o Universo se manifeste. Assim sendo, da mesma forma que Kether, Chokmah é responsável pela criação e existência do Cosmos, mas não está contida no mesmo, pois representa o Princípio Positivo e Fecundante ao Infinito, e portanto é transcendente. É o conceito mais puro e abstrato de força sem forma que nós podemos ter.
Chokmah é quem fecunda, é ativo, representa atividade, representa o ato de fecundar, representa o Pai Divino. É o pênis ereto adorado pelas bacantes, é o vinho que preenche o cálice sagrado, é o Musphell da mitologia nórdica, o fogo eterno e sempre em expansão que originou o Cosmos.
Chokmah também representa o princípio divino e espiritual que se infunde em toda a matéria, vivificando-a. Da mesma forma que Chokmah não pode se manifestar sem ser contido por Binah, a nossa alma não pode se manifestar sem ser contida por um corpo. E da mesma forma que Binah é inerte sem ser fecundada por Chokmah, o mundo material não existiria se não fosse infundido pela energia e força do mundo espiritual.
A segunda sephirat também representa a luz de nossa Centelha Divina, que nos inspira e orienta. Chokmah também representa a Inspiração Divina, a Luz Divina que nos insita à ação.
Chokmah é a Luz Divina pura, impossível de ser contatada diretamente por um mortal comum, pois se isso acontecesse a sua energia infinita nos desintegraria. Isso é ilustrado pela mitologia greco-romana, quando Semele, uma mulher mortal, tem um caso com o Deus Zeus que a engravida. A Deusa Hera, esposa de Zeus, fica com ciúmes de Semele e a convence de que ela deveria ver Zeus em sua forma original e divina. Dessa forma, quando Semele vislumbra Zeus em sua forma original, a Luz é tão grande que Semele é imediatamente fulminada e queimada pelo fogo divino emanado do Deus. Zeus não consegue salvar a amante, mas consegue salvar o seu filho, o Deus Dionísio, que estava ainda no ventre de Semele. Esse mesmo fato também é ilustrado pela mitologia judaico-cristã, quando Jehovah disse a Moisés: “Não podes olhar a minha face diretamente e sobreviver”.
Isso significa que a Luz Divina é tão forte e intensa, e nós somos tão frágeis e limitados, que em nosso estágio atual de evolução essa Luz tem que nos chegar através de intermediários, ou seja, ela tem que ser convertida e traduzida de uma forma que nós possamos suportar e entender. Esse intermediário seria representado pelo Filho, que na Cabala é a sephirat Tipharet, a sexta sephirat. Na mitologia greco-romana e nos Mistérios Órficos esse intermediário é representado pelo Deus Dionísio, filho de Zeus e responsável por proporcionar a Iluminação aos seus adoradores através do êxtase divino. E na mitologia cristã esse intermediário é representado pelo Cristo, filho de Jehovah.
Em relação à magia, sempre que operamos com forças dinâmicas estamos lidando com o Pilar da Direita, que por sua vez obtém a sua energia de Chokmah.
Em nosso dia a dia, sempre que somos estimulados e inspirados, estamos sofrendo a ação de Chokmah, ou seja, o que nos inspira e estimula está agindo sobre nós com a energia de Chokmah. Por outro lado, sempre que somos pró-ativos, agimos com liderança ou estimulamos alguém, nós estamos manifestando Chokmah através de nossas ações.
Bibliografia:
1-) The Mystical Qabalah
Autora: Dion Fortune