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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Como os Deuses Agem em Nossa Vida

Numa de minhas meditações, me veio uma idéia interessante sobre como se dá a comunicação com os Deuses. Considerando-se o princípio Hermético de que “assim como é em cima é em baixo”, irei ma valer do eletromagnetismo para, através da lei das correspondências, levar o leitor a intuir como se dá a nossa relação com os Deuses. Dessa forma, a idéia que me surgiu em minhas harmonizações foi: o transformador elétrico.
Todo mundo sabe o que é um transformador elétrico, bastando para isso olhar para os postes da companhia de fornecimento de energia elétrica na rua. Tais transformadores transformam a alta tensão dos postes nos 110/220V que vão para as residências. E o que isso tem haver com os Deuses ?
De acordo com o eletromagnetismo, uma corrente elétrica gera um campo magnético com a mesma frequência da corrente elétrica que o gerou. Por outro lado, um campo magnético variante no tempo gera uma corrente elétrica com a mesma frequência do fluxo magnético que a gerou. Eis o princípio básico de um transformador!
Sem entrar em detalhes técnicos, um transformador é composto por um núcleo, feito de algum material metálico que seja um bom condutor de fluxos magnéticos. Se fossemos fazer um transformador caseiro, uma barra de ferro poderia ser o núcleo de nosso transformador.
Nesse núcleo metálico estão enroladas duas bobinas de fio condutor, isoladas eletricamente uma da outra. Vamos chamá-las de bobina primária e bobina secundária. Nos transformadores das ruas, a primária seria a de alta-voltagem, enquanto a secundária é a que vai para as nossas residências.
Digamos que uma corrente elétrica passe por uma das bobinas. Vamos, por exemplo, considerar que a corrente elétrica passe pela bobina primária. Como as duas bobinas estão isoladas eletricamente, a corrente da bobina primária não passa pela outra bobina. Mas essa corrente elétrica gera um campo magnético, de mesma frequência, na barra de ferro, ou seja, no núcleo do transformador. Tal fluxo magnético se propaga pela barra de ferro, passando pelo centro da bobina secundária. Tal campo magnético induz uma corrente elétrica na bobina secundária, de mesma frequência do fluxo magnético, que por sua vez possui a mesma frequência da corrente elétrica no primário. Eis a mágica! Uma corrente elétrica numa das bobinas induz uma outra corrente elétrica na outra bobina, de mesma frequência, mas com amplitudes diferentes.
Nossa relação com os Deuses é parecida. Ao cultuá-los, a energia divina se infunde em nós, e isso acaba por despertar qualidades que já possuímos, porém estão adormecidas. Tais qualidades são desenvolvidas pela energia divina, da mesma forma que uma corrente elétrica é induzida na bobina secundária pelo fluxo magnético criado pela corrente da bobina primária.
Dessa forma, o que vemos e sentimos não são os Deuses, e sim um reflexo dos mesmos em nós mesmos. O que vemos e sentimos são facetas de nossa própria personalidade que encontram correspondência com determinado Deus, ou Deusa, cultuado(a). Assim sendo, quando a energia desse Deus, ou Deusa, se infunde em nós, tal faceta de nossa personalidade entra em ressonância com essa energia divina. Isso a desperta, desenvolvendo-a e fazendo com que tomemos consciência dela. É como no transformador elétrico! Os Deuses são a bobina primária, cuja corrente elétrica gera um campo magnético, que seria a energia divina. Tal fluxo magnético, por sua vez, induz uma corrente elétrica no secundário, de mesma frequência da corrente elétrica no primário. Nós somos a bobina secundária e, portanto, o que vemos e sentimos é a nossa corrente elétrica, ou seja, é a corrente elétrica induzida no secundário. Nós não vemos e nem temos contato com a corrente elétrica do primário!
Um transformador, porém, é bidirecional, ou seja, se ao invés de colocarmos uma fonte de tensão no primário, colocarmos no secundário, estaremos gerando uma corrente diretamente na bobina secundária e, seguindo o mesmo processo eletromagnético descrito antes, essa corrente no secundário irá induzir uma outra corrente no primário, de mesma frequência, mas amplitude diferente. Ao cultuarmos os Deuses, nossos pensamentos e emoções são as correntes geradas na bobina secundária. Dessa forma, os Deuses conseguem sentir o que queremos, recebendo a nossa energia e, se ficarmos receptivos, conseguiremos sentir e receber a resposta divina.
Pensando bem, é dessa forma que funciona o princípio básico da meditação, ou harmonização, com os Deuses. Há uma etapa ativa, através da qual fazemos determinados movimentos, emitimos determinados sons e, com nossa mente, criamos determinadas imagens mentais, o que nos desperta certas emoções! Isso tudo junto é a corrente elétrica gerada na bobina secundária. Porém, em seguida, é essencial vir a etapa passiva, na qual criamos um vazio mental e simplesmente ficamos receptivos. E é somente nessa segunda etapa, onde ficamos passivos e receptivos, que poderemos sentir e perceber a resposta Divina. Isso corresponde a retirarmos a fonte de tensão do secundário. Dessa forma, a corrente que circular no secundário será proveniente exclusivamente da indução ocasionada pela corrente na bobina primária, livre de qualquer ruído ou interferência!
Isso também ilustra o fato de que nada acontece por “milagre”. Ou seja, os Deuses não resolvem os nosso problemas, pois nós mesmos temos que resolvê-los. Não adianta orar para que, por intervenção Divina, consigamos determinada coisa, pois isso não existe. Sem nossos próprios esforços, não conseguiremos nada, pois “milagres” não passam de “fantasias infantis”!
O que pode, e deve, acontecer é pedirmos auxílio aos Deuses, para que possamos resolver os nossos próprios problemas. Os Deuses nos ajudam dando-nos sabedoria, intuição e força. Eles nos guiam, mostrando-nos o caminho a seguir e nos dando inspiração para que possamos ter força suficiente para seguir por esse caminho. Em outras palavras, os Deuses nos auxiliam nos dando a espada, o cavalo, a sabedoria para utilizá-los e a inspiração. Mas seremos nós mesmos que teremos que ir para a batalha lutar para vencer a guerra! Afinal de contas, a luta é nossa, e não dos Deuses, logo, somos nós que teremos que vencê-la! Da mesma forma, no caso do transformador, ao acendermos uma lâmpada em nossa casa, não é a corrente da bobina primária que a acende, e sim é a corrente elétrica da bobina secundária que acende a lâmpada!
Nossa relação com os Deuses é como a Runa Gebo descreve, ou seja, é uma troca. A nossa energia se funde com a dos Deuses, é um trabalho de simbiose, onde cada um faz a sua parte. Os Deuses recebem a nossa energia através de nossa devoção e, por outro lado, recebemos a energia Divina através do êxtase e da inspiração. Os Deuses nos mostram o caminho e nos dão as respostas e nós, por outro lado, temos que retribuir através de nossas ações, colocando em prática o conhecimento que nos foi passado por inspiração Divina! Ambos somos engrenagens que põe a funcionar a mesma máquina, chamada Cosmos!
E o que é o material ferromagnético que forma o núcleo de nosso transformador ?
Afinal de contas, sem um núcleo eficiente, o fluxo magnético pode chegar fraco até a bobina secundária, induzindo uma corrente muito fraca ou, dependendo do caso, não induzindo corrente alguma no secundário. Dessa forma, o núcleo é o responsável pelo acoplamento magnético entre as duas bobinas. E no caso da relação entre nós e os Deuses, o que seria esse núcleo ?
É nossa Fylgja. É ela a responsável por nos conectar com os Deuses. Quanto mais desenvolvermos a nossa Fylgja, mais forte será a nossa relação com as Divindades. Da mesma forma que é através do núcleo ferromagnético que as bobinas do transformador conseguem induzir correntes elétricas uma na outra, é através de nossa Fylgja que nós conseguimos nos comunicar com os Deuses. Afinal de contas, é nossa Fylgja que nos carrega até Asgard!
Com uma Fylgja pouco desenvolvida, nossa comunicação com os Deuses é quase nula. Seria a mesma coisa que um transformador com um núcleo plástico. Quase nada do fluxo magnético gerado pelo primário iria chegar no secundário, produzindo uma corrente induzida desprezível, quase nula.
Quanto mais desenvolvermos a nossa Fylgja, mais irá crescer a nossa conexão com os Deuses. Assim sendo, uma Fylgja bem desenvolvida garante uma boa comunicação com os Deuses. Da mesma forma, um núcleo magneticamente eficiente garante que grande parte do fluxo magnético gerado pela bobina primária chegue até a bobina secundária, induzindo uma corrente elétrica maior na mesma.
 
 
 

domingo, 22 de novembro de 2009

Vodan ( Poema )

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Vodan, dos nove mundos é o Senhor,

Vodan, que de Asgard é rei,

Vodan, de ti vem o êxtase e o furor,

Vodan, a quem fidelidade jurei.

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Foi no poço de Mimir,

Que de suas águas quis beber,

E para isso conseguir,

Um de seus olhos teve que ceder.

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A troca efetuada,

Caolho Ele ficou,

Mas a visão foi aumentada,

Pois a consciência multiplicou.

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Além da aparência,

Agora Ele enxerga,

Das coisas, a essência,

Agora Ele penetra.

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Vodan, dos nove mundos é o Senhor,

Vodan, que de Asgard é rei,

Vodan, de ti vem o êxtase e o furor,

Vodan, a quem fidelidade jurei.

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Na Yggdrasil se enforcou,

Oh grande Deus sacrificado,

Por nove dias ao vento balançou,

Pelas intempéries fustigado.

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Com grande força de vontade,

Não se entregou ao sofrimento,

Sempre em busca da Verdade,

Até o último momento.

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E no momento derradeiro,

quando a morte o visitou,

das runas um mestre verdadeiro,

Ele se tornou.

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A Luz se apagou,

E o caos imperou,

Mas quando Ele ressuscitou,

A Luz mais forte brilhou!

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Vodan, dos nove mundos é o Senhor,

Vodan, que de Asgard é rei,

Vodan, de ti vem o êxtase e o furor,

Vodan, a quem fidelidade jurei.

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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Disir ( Poema )

Se aparecerem as Disir,
Boa sorte Elas trarão,
Pois se estão a te sorrir,
Podes contar com proteção.

Mas prestes bem atenção,
Se não há sangue na visão,
Pois se isso acontecer,
É sinal que vais morrer!

Espíritos ancestrais,
Te ajudam a nascer,
Espíritos celestiais,
Te ajudam a vencer.

Se aparecerem as Disir,
Saberás o que vai acontecer,
Pois se conselhos pedir,
A Verdade Elas vão fornecer.

Conosco Elas sempre estão,
Desde a hora de nascer,
E são Elas que nos acolherão,
No momento de morrer.


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Sacrifício de Odin


Esse episódio da Tradição Nórdica refere-se ao auto-sacrifício de Odin na Yggdrasil, onde ficou enforcado por nove dias e nove noites a fim de obter os segredos das runas e dos nove mundos. Foi na nona noite que ele morreu e ressuscitou, obtendo assim a sabedoria das runas e de todo o Cosmos.
De acordo com a Tradição Nórdica, as runas contém todos os segredos do Universo. São vinte e quatro símbolos de poder que resumem todas as leis que regem os nove mundos. O Deus Odin, visando adquirir esse conhecimento, sacrificou-se na Árvore do Mundo, Yggdrasil. Depois de se ferir mortalmente com a sua própria lança, chamada de Gungnir, ele se enforcou na Árvore do Mundo, ficando pendurado na mesma durante nove dias e nove noites, sem comer e nem beber, agonizando à mercê do vento e do clima frio. Enquanto ele morria, a Terra foi escurecendo, a Yggdrasil foi definhando e os poderes do caos começaram a ficar cada vez mais fortes. O auge da escuridão aconteceu na nona noite, com a morte de Odin. Nesse instante toda a luz do Universo se apagou, o caos imperou, e o fim da Terra parecia iminente, dominada pelos Gigantes e demais entidades maléficas ao ser humano.
Mas foi durante esse período caótico que Odin, liberto de seu corpo, viajou pelos nove mundos e obteve, livre das limitações do tempo e do espaço, todo o conhecimento do Universo. Compreendeu o mistério das runas, tornando-se mestre das mesmas. E ao adquirir esse conhecimento, ressuscitou mais forte e mais sábio do que nunca. Yggdrasil brilhou com uma luz tão intensa que expulsou de vez todas as forças do caos da Terra. . É o retorno da Luz Divina, quando Odin descobriu os segredos das runas, afastando de vez as trevas diante da Luz Divina de Odin.
Esse episódio também representa todas as dificuldades que temos que passar se queremos conquistar algo de valor em nossa vida. Significa que nada vem de graça e que somente com trabalho e esforço conseguiremos atingir as nossas metas. Da mesma forma que Odin se sacrificou para obter o segredo das runas, nós também teremos que nos sacrificar se quisermos atingir nobres objetivos. Teremos que nos esforçar e trabalhar se quisermos fazer as coisas acontecerem e, da mesma forma que Odin ficou pendurado na Yggdrasil, também iremos passar por dificuldades, pois as forças da inércia irão se opor aos nossos esforços para progredir. E da mesma forma que Odin não desistiu de seus objetivos, nós também teremos que ter força de vontade e perseverança a fim de vencermos os obstáculos que irão surgir em nosso caminho.
E da mesma forma que Odin morreu e ressuscitou com o conhecimento das runas, quando tudo nos parecer perdido e sem esperança, uma luz finalmente irá brilhar e nos iluminar o caminho. Apesar de todas as dificuldades, temos que manter nossos objetivos em mente, pois dessa forma nossos esforços finalmente serão recompensados. Se nossos objetivos são justos, depois da tempestade o céu finalmente vai clarear, e as coisas começarão a dar certo, nos aproximando cada vez mais de nossas metas.
Portanto, tal qual Odin, que nós sejamos fortes, que mantenhamos a fé, a perseverança e a força de vontade diante das dificuldades. E que nossa vida seja iluminada, fazendo-nos descobrir os segredos que nos permitirão vencer nossos obstáculos. E tal qual Odin voltou mais sábio e forte, que nossos projetos e objetivos comecem a se concretizar.

sábado, 10 de outubro de 2009

Cosmogênese Nórdica e a Árvore da Vida Cabalística

O princípio era Trino, não era Uno. Existia um grande vazio, o Vácuo Infinito, conhecido por Ginnungagap. Num canto desse vazio existia Musphell, a Terra do Fogo, a Expansão e Calor Infinitos. Pura Atividade, sem forma alguma, é energia ao infinito, completamente desvinculado de matéria ou forma. Se algo começa a tomar forma em Musphell, no mesmo instante essa formação se desintegra, pois o princípio desse mundo é mudança e atividades constantes. E em outro canto do Ginnungagap existe Niphell, a Terra da Névoa e do Gelo, a constrição e frio infinitos, sem atividade alguma, lugar das formas estáticas e sem energia. Pura forma, tudo é gelado e estático, pois não há energia para animar essas formas inertes.
O Ginnungagap, Musphel e Niphel são completamente incompatíveis, não fazem parte da mesma essência e sempre existiram. Apesar de incompatíveis, fagulhas de Musphel voaram através do Ginnungagap em direção a Niphel, enquanto a névoa gelada de Niphel invadiu o Ginnungagap, indo em direção a Musphell. Quando o Fogo de Musphell se encontrou com o Gelo de Niphell, no meio do Ginnungagap que os separava, houve uma reação que conciliou os dois opostos, dando origem ao Gigante Ymir. Por sua vez, Ymir deu origem à raça dos Gigantes, que foram os primeiros seres a habitarem o Cosmos recém-criado. Porém não era o Cosmos que conhecemos, pois ele estava envolto no Caos.
Dessa forma, a Unidade nunca existiu de fato. O que é eterno é a Trindade, ou seja, duas forças extremas e opostas, representadas por Musphell e Niphell, as quais encontram-se separadas por uma terceira potência, representada pelo Guinnungagap, que é o Vácuo Absoluto. Apesar do Vácuo Original separar os pares de opostos extremos, é o próprio Ginnungagap que também serve de intermediário entre os opostos, conciliando-os na criação do Cosmos, representado pelo Gigante Ymir.
Esse Universo, porém, não era o Universo conhecido atualmente. Era um mundo caótico e desprovido de ordem, pois para que haja ordem é necessária a ação de uma inteligência, coisa que não existia. Esse estado desorganizado é representado pelo Gigante Ymir e sua prole, numa época em que ainda não existiam as Leis da Natureza conforme existem hoje, pois as mesmas ainda não tinham sido formuladas.
Em meio a esse Caos nasceram, filhos de um casal de Gigantes, os três primeiros Deuses Aesires: Odin e seus dois irmãos, Vili e Vê. Esses três Deuses não gostavam do Caos em que viviam e, portanto, mataram o Gigante Ymir, pois Odin queria implantar a ordem e, com isso, propiciar o progresso das futuras criaturas que iriam habitar o Universo. Com isso, a prole de Ymir morreu toda afogada no sangue do Gigante Primordial. Os poucos Gigantes que restaram foram expulsos do Cosmos, fugindo para Jotumheim, a Terra dos Gigantes, que fica no limite do Universo com o Nada Absoluto.
E do corpo do Gigante Ymir os três Aesires Originais fizeram o Cosmos como existe hoje em dia, sendo que Odin ficou sendo o Rei de Asgard, ou seja, Rei dos Aesires.
Isso ilustra a passagem do caos para a ordem, e como Odin veio a se tornar o Rei dos Aesires, pode-se considerar esse fato como um indício de que o mentor intelectual dessa façanha foi Odin, auxiliado pelos seus dois irmãos, que o ajudaram a colocar o seu plano em prática.
Foi Odin quem arquitetou o Universo, criando as leis da natureza e organizando o Cosmos, fazendo-o funcionar como uma máquina perfeita, seguindo regras constantes e imutáveis. Odin é a Mente Cósmica por detrás de todo o universo. Dessa forma, Odin é o Grande Arquiteto do Universo.
O G.’.A.’.D.’.U.’. é o Deus Odin, pois foi ele o mentor intelectual do Cosmos, mas Odin não é o único Deus que existe. Apesar dele ser o mentor intelectual, foi auxiliado pelos seus dois irmãos, os Deuses Vili e Vê.
Odin dividiu o Cosmos em Nove Mundos, sendo todos eles interligados pela Yggdrasil, a árvore que dá suporte ao Universo. Em resumo, esses nove mundos são:

a-) Asgard, a Terra dos Deuses Aesires, onde o Deus Odin é o rei.
b-) Alfheim, Terra dos Elfos de Luz, onde o Deus Frey é o rei.
c-) Midgard, é onde nós humanos vivemos.
d-) Jotunheim, é a Terra dos Gigantes
e-) Vanaheim, é a Terra dos Deuses Vanires.
f-) Musphelheim, é o próprio Musphell, ou Terra do Fogo.
g-) Niflheim, é o próprio Niphell, ou Terra do Gelo.
h-) Svartalfheim, a Terra dos Elfos Escuros
i-) Nidavellir, Terra dos Anões, fica abaixo de Midgard

Numa região de Niflheim fica um lugar conhecido como Hel, a Terra dos Mortos, cuja rainha é a Deusa Hella.

Essa é a cosmogênese de acordo com o Paganismo Nórdico. Resolvi, então, comparar os elementos do Paganismo Nórdico com outras Tradições, como o pitagorismo, pois tal filosofia influenciou fortemente o pensamento ocidental. De acordo com Pitágoras, a base do Universo são os números, pois eles são a essência de tudo. Foi Pitágoras quem inventou o termos Kosmos, que significa princípio ordenador, onde tudo tende à harmonia. Por isso mesmo os pitagóricos costumavam se referir ao Geômetra do Universo, pois tudo no Cosmos era explicado por relações numéricas, pensamento que os cabalistas iriam retomar cerca de mil anos depois, e a ciência oficial bem mais tarde!
Para os seguidores de Pitágoras todo o Universo era explicado pela Tetraktys Sagrada, que eram os números de 1 a 10. Esses dez números eram os responsáveis por explicar tudo o que existia, filosofia parecida com a dos cabalistas da Idade Média, que chamaram os números de 1 a 10 de sephirat, ou esferas, e chamaram esse esquema de Árvore da Vida (Otz Chiim), da mesma forma que os pitagóricos fizeram com a Tetraktys Sagrada na Antiguidade.
Já que é assim, vou tentar montar um esquema baseado em Dez Esferas de Influência, e vou chamá-lo de Árvore da Vida Nórdica, obtendo parte de minha inspiração no trabalho do Frater Oxi Ziredo, denominado “ Aigin Handugei”. Afinal de contas, de acordo com Lavoisier: “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”...

A Árvore da Vida Nórdica

Na árvore nórdica não houve um início, pois Ginnungagap, Musphell e Niphell sempre existiram. Já para os pitagóricos, o Uno, ou Fogo Central, era a origem de todos os números, assim como para a Cabala o inicío ocorre com a emanação da sephirat número UM, chamada Kether. Para Pitágoras o Uno se manifesta através do Dois e se conscientiza através do Três, o que pode ser apreendido quando os cabalistas dizem que de Kether foi emanada Chokmah, e de Chokmah foi emanada Binah, formando as três sephirot superiores. Essas Três Sephirot Superiores constituem o Mundo dos Arquétipos, o qual pode ser entendido como sendo o Mundo da Idéias, preconizado por Platão séculos antes, na Antiguidade.
Só que os cabalistas tinham um problema, pois se a primeira sephirat foi emanada, é sinal de que existia algo anterior à própria existência, e apesar de se querer explicar o que havia antes de Kether, não tinham como fazê-lo
Portanto, na árvore cabalística existem os 3 Véus da Existência Negativa. Na árvore nórdica isso não existe. Eis a primeira diferença. Na árvore nórdica não há nada desconhecido, pois tudo está representado na mesma.
O desconhecimento do que existia antes do início, simbolizado pelos Véus da Existência Negativa, foi substituído pela existência eterna do Ginnungagap, de Musphell e de Niphell, que embora sejam nomeados, também são estados de existência impossíveis de serem imaginados pela mente humana, pois são estados de existências extremas (Vácuo Infinito, Calor e Expansão Infinitos, Frio e Constrição Infinitos). Sendo tais elementos completamente transcendentais, vou considerar que o Mundo das Idéias Arquetípicas seria formado por eles. Dessa forma, a Primeira Esfera corresponderia ao Ginnungagap, a Segunda Esfera corresponderia a Musphell e a Terceira Esfera corresponderia a Niphell.
Para os seguidores de Pitágoras, o Cosmos era formado pela harmonia entre pares de opostos, que eles dividiam entre números pares e infinitos de um lado, e números ímpares e finitos do outro, conceito esse que os cabalistas da Idade Média representaram através da segunda e da terceira sephirat, sendo Chokmah a Potência Masculina e Positiva ao Infinito e Binah a Potência Feminina e Negativa ao Infinito.
Tal qual na Kether cabalística, no Ginnungagap todo o Universo já existia em potencial. Mas ao contrário da Kether cabalística, Ginnungagap não representa a Unidade, pois tal Unidade nunca existiu. Dessa forma o Cosmos não foi emanado do Ginnungagap. As coisas já existiam em potencial no Grande Vazio porque foi ele o pano de fundo que propiciou com que Musphell reagisse com Niphell, gerando, dessa conciliação de opostos, o Universo.
Além do mais, de acordo com a Cabala, o Cosmos existe da forma que conhecemos atualmente devido a decisões tomadas em Kether. Ou seja, tudo o que existe foi pré-definido e originado na primeira sephirat. Mas de acordo com a Árvore Nórdica, o Cosmos como existe hoje foi originado por Odin, o Pai Excelso, pois foi Ele quem ordenou o caos e instaurou a ordem, auxiliado por seus dois irmãos. Como Grande Arquiteto do Universo, foi Odin quem formulou as leis da natureza e da ordem cósmica e, portanto, tudo o que existe foi pré-definido e originado por Odin. Ora, isso está de acordo com a definição cabalística do que deveria ter ocorrido na primeira Esfera de Influência e, portanto, eu me sinto à vontade de colocar Odin como representante atual das forças de Ginnungagap. Afinal de contas, foi Odin quem coordenou as forças originadas pela interação entre Musphell e Niphell, formulando como deveria ser o Cosmos, sendo que tais forças se originaram no Ginnungagap. É como se o Pai Excelso fosse a mente que despertou no que era o Grande Vazio, agora preenchido de matéria e energia, a fim de ordenar esse caos e formar um Cosmos regido pela ordem e pelo progresso.
Resumindo, com a interação entre as forças de Musphell com as de Niphell, o Ginnungagap foi preenchido pelo Caos, que devido a iniciativa e planejamento de Odin, esse Caos foi transformado em Ordem, originando o Cosmos, que por ser regido por regras fixas e imutáveis propicia o progresso de todos os seres que nele vivem e se desenvolvem. E como Odin é o Rei de Asgard, nada mais natural do que considerar Asgard no nível da Primeira Esfera-Ginnungagap, o nível mais alto a que a compreensão humana pode chegar, habitado pelos Deuses e pelos heróis valorosos.

A Criação e a Unidade

Os discípulos de Pitágoras diziam que o Cosmos foi formado pela harmonização entre os opostos, pensamento esse que foi ilustrado e desenvolvido na Cabala, a qual diz que foi da interação entre Chokmah e Binah que surgiu o Universo tal qual conhecemos, sendo o Cosmos a manifestação resultante da conciliação entre pares de opostos. De acordo com essa linha de pensamento, a primeira coisa a se manifestar foi a sephirot Oculta e sem número, Daath, que raramente aparece nos esquemas da Árvore da Vida Cabalística, e quando aparece é desenhada com linhas pontilhadas. E da mesma forma que no caso da cosmogênese nórdica, Daath representa o estado de Caos inicial, estado esse que foi ordenado pelo G.'.A.'.D.'.U.'., sendo que esse processo de ordenação é representado pela emanação das outras sete sephirot que compõem a Otz Chiim. E talvez seja por isso que Daath não apareça tradicionalmente na Árvore da Vida Cabalística, pois a ordem cósmica é representada pelas Dez Sephirot tradicionais, numeradas de Um até Dez (alguém lembrou da Tetraktys Sagrada de Pitágoras?). E como o Cosmos encontra-se atualmente ordenado, Daath deixou de existir nesse esquema de Ordem. Ela é apenas uma sephirat intermediária entre o Mundo das Idéias Arquetípicas das Três Sephirot Superiores e o Cosmos perfeitamente ordenado e manifestado, representado pelas Dez Sephirot Tradicionais que compõem a Otz Chiim. E por representar o Caos Inicial, Daath também é a conexão com as Qliphot, ou seja, as representações das sephirot em desequilíbrio.
Portanto, já podemos perceber que, em nossa Árvore Nórdica, a Esfera Intermediária também existe, pois a primeira coisa a se manifestar com a conciliação das forças opostas de Musphell e Niphell foi o Gigante Ymir, representação do Universo Caótico Primordial, ou seja, o que em Thelema se chama o Grande Abismo.
E nesse ponto vem a inovação: a Esfera Intermediária seria a representação da Unidade! Ela representaria a Unidade da Criação, pois o Cosmos é um só. Tudo o que existe encontra-se ligado com o Todo, formando uma grande rede cósmica, interligando tudo através das mesmas leis da natureza, leis essas que foram formuladas por Odin e que mantém a ordem cósmica.
Por ser intermediária, todo o indivíduo que pretende trilhar o caminho da Iluminação terá que passar, mais cedo ou mais tarde, por essa Esfera de Influência. Ela é o Abismo profundo e tenebroso que separa o mundo da manifestação que conhecemos do mundo divino que está além da nossa compreensão atual.
Como essa Esfera de Influência representa a Unidade, ela está acima do mundo das dualidades, representado pelas sete Esferas de Influência inferiores. O mundo das dualidades é o nosso mundo, dividido entre pares de forças opostas não conciliadas e desequilibradas. Enquanto permanecermos no mundo ilusório das dualidades, estaremos em desequilíbrio e, portanto, estaremos sobre influência de forças externas e completamente fora de nosso controle. Seremos joguetes do destino e escravos da ignorância. Isso ocorre porque se mantermos os opostos não conciliados dentro de nós mesmos e em nossas vidas, estaremos refletindo o estado primordial, com Musphell separado de Niphell pelo Ginnungagap, e isso representa a Não Manifestação. Dessa forma, mantermos os opostos desequilibrados e não conciliados significa que vivemos num Grande Vazio Interior, pois a nossa Verdadeira Essência ainda não se manifestou nesse mundo.
Ao conciliarmos os opostos dentro de nós mesmos e em nossas vidas, estaremos manifestando a nossa Verdadeira Essência no mundo, pois teremos atingido o Abismo e, portanto, estaremos refletindo a interação de Musphell com Niphell na criação do Cosmos. Mas lembrem-se que o Abismo é profundo e tenebroso, e ao entrarmos nele poderemos ficar perdidos em suas trevas. Extasiados com a Unidade, poderemos ficar reféns de nosso próprio ego, que com sentimentos egoístas nos impede de prosseguir.
Da mesma forma que a primeira coisa a se manifestar com a interação de Musphel e Niphell foi o Universo Caótico do Gigante Ymir, a primeira coisa a surgir com a conciliação dos opostos será o Caos Interior, onde enfrentaremos os nossos medos e as nossas ilusões. Será um novo estado mental completamente desconhecido e, portanto, ainda sem controle, com uma grande confusão interior ocasionada pelo fato de estarmos adentrando num mundo completamente além de nossa capacidade intelectual atual. As dúvidas que nos ligam ao mundo das dualidades irão nos perseguir e nos tentar. Além disso, sempre que entramos em algo novo, sem conhecimento e experiência, nos sentimos confusos e, se a confusão for muito grande, corremos o risco de perder o controle e simplesmente enlouquecer em meio ao Caos. Afinal de contas, para aprender a andar de bicicleta teremos que levar alguns tombos!
Porém, com a ajuda de Odin, teremos o discernimento, a disciplina e a vontade necessários para colocar os nossos pensamentos e sentimentos em ordem. Tal qual o Pai Excelso que organizou o Caos original, nós iremos descobrir a nossa Verdadeira Vontade e, com isso, instaurar a Ordem em nosso interior e, dessa forma, tendo pleno controle da situação, iremos conseguir cruzar o Abismo, rumo a Asgard, no mundo das Três Esferas Superiores. Daí sim iremos manifestar a nossa Centelha Divina, pois estaremos refletindo, a nível pessoal, o que Odin fez a nível macrocósmico na criação do Universo: estaremos implantando a Ordem no caos, a fim de obtermos o progresso. E como dizem na maçonaria: com o auxílio do G.'.A.'.D.'.U.'. iremos transformar a nossa pedra bruta em pedra polida.
É somente cruzando a Esfera Intermediária e passando pelas provações do Abismo é que conseguiremos sair do mundo atual das dualidades para adentrarmos em Asgard, a morada dos Deuses. Na mitologia nórdica, o único caminho que liga Midgard à Asgard é a Ponte Bifrost, também conhecida como Ponte do Arco-Íris. E protegendo os portões de Asgard, ao término do Bifrost, está o Deus Heimdallr, que só deixa passar aqueles que são dignos de entrar. A função de Heimdallr é impedir que os Gigantes e as pessoas indignas consigam entrar em Asgard. Dessa forma, o Deus associado a essa Esfera é Heimdallr, que só deixa passar aqueles que conseguirem por ordem em seu caos interior.
A Esfera Intermediária-Heimdallr é o ponto no meio do círculo, pois tudo o que existe atualmente teve lá a sua origem, pois é dali que as forças constantemente geradas pela interação entre Musphell e Niphell passam para o Cosmos que conhecemos. Além do mais, todos que pretendem alcançar Asgard terão que se dirigir para a Esfera Intermediária-Heimdallr, para que com o auxílio de Odin possam tomar posse de sua Verdadeira Vontade e finalmente cruzar o Bifrost, indo habitar com os Deuses.

As Esferas Abaixo do Bifrost

Continuando a minha análise, vou divagar um pouco sobre o restante da Árvore Nórdica, analisando rapidamente cada uma das sete Esferas restantes.

a-) Esfera da Construção-Thor

(Obs.: Esta esfera de influência, aprendida pelos pitagóricos sob outros nomes, foi chamada pelos cabalistas muito tempo depois de Chesed.)

É nessa Esfera de Influência que os planos divinos formulados por Odin estão esquematizados, pois as Forças dessa Esfera é que são responsáveis pela manutenção do Cosmos. Uma vez que o Universo foi criado, é a Esfera de Formação a responsável por manter a ordem no mesmo, certificando-se de que o esquema original continue funcionando.
Ela também representa as forças construtivas do Cosmos e, portanto, responsável pela prosperidade. Além disso, essa Esfera também representa a Misericórdia, atuando no consolo e proteção dos mais necessitados.
Essa Esfera é regida pelo Deus Thor. Thor é filho de Odin com Jord, Deusa da Terra. Thor é um Deus da natureza, do trovão e da fertilidade, pois é o responsável pelas chuvas que fertilizam a Terra e, portanto, está relacionado com as forças construtivas do planeta que propiciam a prosperidade do povo, através de terras férteis.
Enquanto o seu pai Odin era adorado pelos reis, nobres e guerreiros, Thor era mais adorado pelos agricultores e pelo povo mais humilde, pois Thor era o Deus responsável pela proteção dos mais fracos e, dessa forma, compatível com a Misericórdia.
Thor também era o campeão de Asgard, o inimigo número um dos Gigantes e defendia a Terra de todos os ataques dos terríveis Jotuns, que eram os Gigantes que viviam em Jotunheim. Como os Gigantes representam as Forças do Caos, a constante luta de Thor contra os mesmos significa que Thor é uma força ativa na manutenção da Ordem pré-estabelecida por Odin, o que está de acordo com as características dessa Esfera. Odin, o G.’.A.’.D.’.U.’., estabeleceu a Ordem matando e expulsando os Gigantes, e Thor mantém essa Ordem impedindo que os mesmos retornem para a Terra.

b-) Esfera da Destruição–Tir

(Obs.: Esta esfera de influência, aprendida pelos pitagóricos sob outros nomes, foi chamada pelos cabalistas muito tempo depois de Geburah.)

Essa Esfera é oposta a Esfera da Construção e representa as Forças de Destruição. Tudo o que está em desequilíbrio é destruído por ação dessa Esfera. Dessa forma, essa Esfera garante que tudo que tenha dado errado possa ser concertado. Ela também é chamada de esfera da Severidade e Justiça, pois ela representa a Justiça Cósmica, sempre imparcial e punindo aqueles que transgridem as leis da natureza.
Por isso essa Esfera estaria associada ao Deus Tir, Deus da guerra, das atividades bélicas, da justiça, da severidade e da honra. Os guerreiros, antes de irem para a guerra, invocavam os Deuses Tir e Odin. Assim como Odin, Tir também recebia sacrifícios em agradecimento a uma batalha vencida.
Era costume entre alguns povos nórdicos da Antiguidade realizarem julgamentos invocando-se a presença de Tir. Fazia-se uma fogueira e as partes em contenda invocavam a presença de Tir para que o Deus fizesse justiça e indicasse o culpado. As partes em litígio tinham, então, que colocar a mão na brasa, em óleo ou em água fervendo. Tir, Deus da justiça, iria dar força e coragem ao justo, e ia fazer com que seus ferimentos fossem leves. Por outro lado, com sua severidade iria punir o culpado, ocasionando um medo e uma covardia tão grande que faria com que o infeliz desistisse do julgamento, o que serviria como ato de confissão da culpa. Mas se o coitado insistisse em continuar com a cerimônia, Tir provocaria dores e ferimentos tão atrozes no culpado que ele não resistiria e confessaria o crime de que era acusado. É daí que surgiu a frase: “Eu ponho a mão no fogo como é verdade”.

c-) Esfera do Equilíbrio–Baldhur

(Obs.: Esta esfera de influência, aprendida pelos pitagóricos sob outros nomes, foi chamada pelos cabalistas muito tempo depois de Tipharet.)

Essa Esfera representa o equilíbrio entre as forças de construção e destruição do Cosmos, representa a manifestação perfeita, pois ela é o que equilibra e harmoniza todas as forças que agem na Árvore da Vida. Nela os pares de opostos se equilibram em perfeita harmonia, propiciando a manifestação da Luz Espiritual em sua maior beleza. Por isso um de seus símbolos é o Sol, pois aquele que consegue o equilíbrio interior faz sua Centelha Divina brilhar na Terra. Quem atinge essa Esfera se ilumina com a Luz Divina e abandona a velha vida para renascer uma nova pessoa. Portanto ela também representa a morte e o renascimento necessários para se atingir a maestria.
Ao cruzar o Bifrost, na Esfera Intermediária, nós transcendemos o mundo da dualidade e da dúvida, nos tornando integros e plenamente cientes de nossa natureza divina. Porém é na Esfera do Equilíbrio onde ocorre a preparação prévia para se prosseguir rumo ao Bifrost, pois é aqui que conseguimos deixar as forças opostas que agem em nós em perfeito equilíbrio. Se tentarmos cruzar o Abismo com as forças desequilibradas, Heimdallr irá intensificar essas forças ao infinito e, como resultado do desequilíbrio inicial, seremos despedaçados. Mas se tentarmos cruzar o Bifrost com as forças previamente equilibradas na Esfera do Equilíbrio, quando tais forças forem intensificadas ao infinito o equilíbrio perfeito resultará na manifestação de nossa mais pura Essência, a qual deverá ser ordenada pela nossa Verdadeira Vontade, a fim de que possamos seguir rumo a Asgard.
Portanto eu considero que essa Esfera é regida pelo Deus Baldhur, filho do Deus Odin com a Deusa Frigga. Baldhur é o deus da pureza e da harmonia. Baldhur é o Deus responsável pela conciliação das partes em confronto e, por sua atitude equilibrada e justa, é considerado o Deus da paz. Baldhur é o Deus capaz de harmonizar as forças conflituosas em nosso interior, nos propiciando atingir a Paz Profunda.
Baldhur também representa a Iniciação, pois ele também é considerado o Deus da morte e do renascimento, pois de acordo com o mito do Ragnarok, com a morte de Baldhur o mundo acaba, mas Baldhur irá renascer com um novo mundo de paz e harmonia.

d-) Esfera da Essência–Freya

(Obs.: Esta esfera de influência, aprendida pelos pitagóricos sob outros nomes, foi chamada pelos cabalistas muito tempo depois de Netzach.)

Essa Esfera representa os sentimentos e a essência de todas as coisas. Nela as forças que irão agir na formação do Cosmos já existem em essência, mas ainda não possuem uma forma definida. Essas forças são fluídicas, variando constantemente de forma. Não existem almas individuais, e sim almas grupo e, portanto, tais forças ainda são genéricas e não estão associadas a nenhuma forma ou representação específica. Por isso as forças sob ação dessa Esfera são justamente as emoções.
Dessa forma, a Deusa que rege essa Esfera é a Deusa Freya, irmã do Deus Frey e filha do Deus do mar Njord com a Giganta das montanhas Skadi.
Freya é a Deusa do amor e, portanto, tem pleno controle sobre as emoções humanas. Além do mais, ela controla a essência de todas as coisas, pois como mestra da arte do Seidhr, ela viaja pelos Nove Mundos e altera a realidade, manipulando a essência do próprio mundo material.
A Deusa Freya também é uma Deusa da fertilidade e, portanto, essa Esfera é responsável pela essência vital que se insufla na matéria, o que faz com que a vida seja um fenômeno a se manifestar por todo o Cosmos.

e-) Esfera da Forma–Loki

(Obs.: Esta esfera de influência, aprendida pelos pitagóricos sob outros nomes, foi chamada pelos cabalistas muito tempo depois de Hod.)

Essa é a Esfera da inteligência e do raciocínio, sendo o que dá forma às energias difusas da Esfera-Freya. A Esfera-Freya é a essência, enquanto a Esfera-Loki é a forma. Aqui as forças genéricas e indefinidas da Esfera-Freya tomam uma forma específica, criando uma individualidade própria. As forças não são mais fluídicas, pois aqui elas adquirem uma forma fixa. Loki representa o nosso intelecto, pois é ele que, através do pensamento lógico, transforma as nossa idéias e sentimentos abstratos em fatos palpáveis e úteis.
Sendo Loki, irmão adotivo de Odin, o Deus mais esperto e inteligente dos Nove Mundos, as forças dessa Esfera estariam sob regência do Deus Loki. Da mesma forma que o nosso intelecto puro, baseado somente na lógica, pode nos iludir e nos dar falsas idéias frente aos fatos complexos da vida, Loki também gosta de confundir e enganar as pessoas. Porém, sempre que Loki se encontra em situação ruim, ele usa de sua astúcia para reverter a situação e acaba saindo da mesma com vantagens úteis a ele e aos Deuses. Da mesma forma, quando nos encontramos em apuros, são as forças de Loki que fazem com que nosso intelecto ache uma saída proveitosa para nós.

f-) Esfera da Formação–Nornes

(Obs.: Esta esfera de influência, aprendida pelos pitagóricos sob outros nomes, foi chamada pelos cabalistas muito tempo depois de Yesod.)

Essa Esfera representa o Plano Astral, que é a base para a formação do plano terreno. Nela está a quinta-essência, que é a essência dos quatro elementos que irão formar o plano terreno, de acordo com os filósofos gregos. Embora a quinta-essência seja a base para a formação dos quatro elementos, ela não pertence ao plano material, porém tudo o que acontece no plano terreno é resultado das transformações que ocorrem no plano astral, representado por essa Esfera. Se algo se manifesta no plano terreno, é por que esse fato se manifestara antes no plano astral. Essa Esfera também representa o nosso subconsciente, pois da mesma forma que o plano astral é a base para as manifestações do plano terreno, o nosso subconsciente também é a base para a maioria de nossas ações e emoções.
Por isso quem rege essa Esfera são as Três Nornes. São elas as responsáveis por entrelaçar a rede do destino. São elas que definem, baseadas em nossas atitudes, quais devem ser as reações às nossas ações, pois elas levam em consideração a inter-relação entre todas as coisas do Universo. Tudo o que acontece no mundo ocorre porque foram as Nornes que teceram os fatos na teia cósmica.
Elas são três:
=> Urd, responsável por levar em consideração todos os atos do passado.
=> Verdandi: Baseado em todos os atos do passado, é a responsável por decidir o que ocorre no presente.
=> Skuld: Baseado nos atos do passado e do presente, é a responsável por decidir como as consequências desses atos tendem a se desenvolver no futuro.
Uma das formas de se tentar intuir as tendências para o futuro é através da meditação, que nos coloca em contato com as forças das Nornes que regem o nosso subconsciente.

g-) Esfera da Manifestação–Gerda e Frey

(Obs.: Esta esfera de influência, aprendida pelos pitagóricos sob outros nomes, foi chamada pelos cabalistas muito tempo depois de Malkuth.)

Essa é a décima Esfera, que corresponde ao mundo material propriamente dito. Ela representa a própria Terra.
Dessa forma, associei essa Esfera à giganta Gerda, esposa do Deus Frey, que é um Deus da fertilidade. Gerda está relacionada à terra e, portanto, representa as forças naturais que regem o mundo material. Por ser uma giganta, significa que as forças naturais são selvagens e difíceis de se manter sobre controle. Se deixadas agirem livremente, sem interferência da ação humana, a tendência é a destruição de qualquer vestígio da civilização com o passar do tempo. Cidades abandonadas viram ruínas e desaparecem com o passar dos séculos, devido à ação das forças naturais.
Porém, “onde está Gerda encontra-se Frey”. Dessa forma, a Esfera da Manifestação também é regida pela presença do Deus Frey, o que causa a fertilidade da Terra. É Frey o responsável por tornar a terra fértil e de vida abundante. É através da ação das forças do Deus Frey agindo sobre Gerda que desertos e regiões inóspitas podem se tornar áreas férteis e habitáveis.

Assim sendo, o Cosmos permanece em ordem graças à ação dos Deuses Aesires e Vanires, que impedem que os gigantes de Jotunheim invadam novamente o Universo, o que resultaria na implantação do caos.

Bibliografia:

1-) Manual Nórdico - O Texto Rúnico,
Autor: Grimmwotan Idavoll,

2-) The Mystical Qabalah
Autora: Dion Fortune

3-) Deuses e Mitos Do Norte Da Europa
Autora: H.R. Ellis Davidson

4-) Aigin Handugei
Autor: Frater Oxi Ziredo

domingo, 27 de setembro de 2009

A Fylgja e nossa Alma

A Verdade Suprema nos escapa por completo, sendo inacessível a qualquer ser humano, da mesma forma que uma única célula de nosso corpo jamais poderá exercer, sozinha, as complexas atividades mentais que um ser humano normal consegue exercer. Porém, o Grande Arquiteto do Universo, em sua infinita sabedoria, não nos privou de termos “vislumbres” dessa verdade, da mesma forma que cada célula de nosso corpo, individualmente, não é privada da consciência necessária para agir em conformidade com as atribuições que lhe são confiadas, visando auxiliar no bom funcionamento do corpo como um todo.
Vislumbres dessa Verdade são acessíveis a todos que a procuram. E como nenhum grupo, ou civilização, possui o monopólio da Verdade Suprema, tal Verdade vem se manifestando, através das eras, de formas diferentes em todas as civilizações do planeta. Basta ter olhos para ver!
Dessa forma, vou analisar como essa Verdade se manifesta no paganismo nórdico. Mais precisamente, vou divagar sobre como um pagão, que cultue os Deuses e Deusas do norte da Europa, poderia entender as questões da alma humana. Para isso, analisarei uma entidade espiritual de vital importância, denominada Fylgja.
A Fylgja, na mitologia nórdica, é a nossa sombra. É um ser que nos acompanha, e geralmente, nos aparece na forma de um animal, e raramente, na forma de uma mulher. Tal ser faz parte de nós mesmos, e está sempre pronto a nos proteger. Se junta a nós no nascimento, e com a nossa morte, nos leva para a nossa nova morada no outro mundo.
A Fylgja tem relação com a nossa consciência, pois além de nos guiar e nos aconselhar, também é a responsável por levar a consciência do xamã através das viagens astrais. E nas meditações e transes, também é ela a responsável por nos fazer entrar em contato com os Deuses e outras entidades espirituais.
Assim sendo, olhando para a Árvore da Vida Cabalística, eu me perguntei: Será que existiria algo na Cabala, que pudesse ser correspondente a Fylgja da Tradição Nórdica? Caso afirmativo, a que sephirah corresponderia a Fylgja?
De acordo com os cabalistas, a Árvore da Vida pode ser dividida em 3 colunas verticais, sendo que a coluna do meio, formada por quatro sephirot, é considerada, pelos hermetistas, como a Coluna da Consciência. Ora, se a coluna do meio é considerada a Coluna da Consciência, eu me arrisco a dizer que a Fylgja poderia ser relacionada a uma dessas quatro sephirot, pois afinal de contas, a Fylgja está relacionada a nossa consciência.
Mas quais são essas quatro sephirot ?


As Sephirot da Coluna do Equilíbrio
Começando de cima para baixo, a primeira delas é justamente Kether. Kether é considerada por alguns místicos como sendo a nossa alma, a centelha divina que arde dentro de nós. Seria a nossa essência. Um dos nomes para Kether significa "Eu Sou". E o que é a nossa alma, senão nós mesmos da forma mais pura e original que se possa imaginar?
Abaixo de Kether está Tipheret. De acordo com os estudiosos da Cabala, é em Tipheret que surge, pela primeira vez, a consciência. De acordo com essa teoria, em Kether nossa alma não tem consciência de nada, pois lá nós simplesmente "Somos". Seria em Tipheret que nossa alma começaria a tomar consciência das coisas. É onde a mente, em sua concepção mais pura, começaria a se formar. Dessa forma, seria em Tipheret que habitaria o nosso Eu Interior. É dito que os fluxos Divinos que vem do alto se encontram com os fluxos provenientes do mundo material, que vem de abaixo. E quando essas duas correntes se encontram, em Tipheret, nosso Eu Interior então tomaria consciência das coisas como elas realmente são.
Tipheret, então, estaria intimamente ligado a Kether, pois o Eu Interior seria a consciência da Alma, ou seja, a Mente Superior. Antes de prosseguir na análise das sephirot, convém fazer uma pausa para falarmos um pouco sobre os “corpos” que formam o ser humano encarnado aqui na Terra.

A Natureza Trina do Ser Humano
De acordo com algumas teorias herméticas, o ser humano encarnado seria composto, de forma simplificada, por três partes principais: uma parte física, uma parte astral e uma parte divina, sendo que, dessas três partes, a parte divina seria a única que seria eterna, enquanto as partes astral e física seriam passageiras. E, além disso, cada uma dessas três partes seria composta por três subdivisões cada uma, que são: um espírito, um corpo e uma mente. O espírito seria a própria essência, o corpo seria o que dá suporte à manifestação dessa essência no referido plano, e a mente seria a consciência que surge da união do espírito com o referido corpo.
No plano divino, a essência seria a nossa própria alma, ou seja, a nossa centelha divina, cuja mente seria o nosso Eu Interior. A nossa alma ainda não está plenamente consciente de si mesma. Ela tem apenas consciência de uma parte de suas potencialidades, sendo essa consciência o Eu Interior, também chamado de Mente Superior. Faz parte da evolução cósmica a alma se tornar cada vez mais consciente de suas potencialidades divinas, e quando ela se tornar plenamente consciente de si mesma, diz-se que se atingiu a iluminação cósmica. E quanto ao corpo da parte divina, vou chamá-lo de corpo luminoso, embora já tenha lido alguns autores se referirem a ele como corpo causal. Sua natureza é extremamente sutil, vibrando nas frequências mais altas do teclado cósmico.
Já o corpo físico seria o que todos nós conhecemos. É feito de matéria e energia, como por exemplo, eletricidade e calor. Vibra nas mais baixas frequências do teclado cósmico. A mente desse corpo físico seria formada pela nossa consciência objetiva e pela nossa personalidade, ambas funções do cérebro e de nossas experiências no dia a dia. Tal mente física seria a manifestação, na matéria, de nosso Eu Interior. Porém, quando algo que vibra em altíssimas frequências, como a Mente Superior, tem que ser convertido em algo de baixíssimas frequências, como a mente física, algo se perde nessa conversão. É por isso que a nossa personalidade é apenas um reflexo de nosso Eu Interior, sendo que a maior parte das qualidades de nossa Mente Superior não podem ser manifestadas em nossa consciência objetiva. E a essência dessa parte física seria uma pequena parcela da energia de nossa alma que nos chega até o plano material.
Se tivermos um equipamento de telecomunicações que opera em altas frequências, e na outra ponta um outro que opera em baixas frequências, é óbvio que um não saberá da existência do outro, pois não conseguirão se comunicar. Será necessária a existência de um conversor entre ambos os equipamentos, convertendo o sinal de altas frequências num sinal de baixas frequências, e vice-versa, para que ambos se conectem.
O mesmo ocorre em relação à alma e ao corpo físico, sendo que a função do equipamento conversor de frequências é realizada pelo corpo astral. É o nosso corpo astral que conecta a alma ao corpo físico, permitindo, assim, que o ser humano possa viver na Terra. Tal corpo é composto de uma substância que vibra numa frequência intermediária entre a matéria física e a substância sutil que forma o corpo luminoso. É através dele que o Eu Interior manda inspiração à mente física, assim como é através dele que a mente física manda as impressões e lições mundanas ao Eu Interior. A mente do corpo astral seria o subconsciente, sendo por tal motivo que qualquer contato com o Eu Interior tem que ser realizado através da introspecção, pois o subconsciente é a ponte entre a nossa consciência objetiva e o nosso Eu Interior. E a essência desse corpo seria uma parcela da energia de nossa alma que chega ao plano astral. E como esse plano vibra numa frequência mais próxima das vibrações divinas do que o plano terreno vibra, a parcela da energia de nossa alma, a vivificar o corpo astral, é maior do que a parcela da mesma que chega até o nosso corpo físico.
Com isso em mente, podemos voltar à Árvore da Vida Cabalística.

Abaixo de Tipheret
Abaixo de Tipheret está Yesod. É o plano astral. De acordo com algumas tradições herméticas, é o que dá forma ao mundo material, pois é a essência do mesmo. Antes de algo se manifestar na matéria, esse algo teria antes que ser formado em Yesod, pois de acordo com essa linha de pensamento, tudo o que ocorre no plano terreno é conseqüência da manifestação dos fluxos astrais de Yesod.
Também é onde ficaria o nosso corpo astral, o qual liga o nosso Eu Interior ao nosso corpo físico. De acordo com algumas doutrinas herméticas, a morte física seria a separação de nosso corpo astral de nosso corpo físico. Em seguida, de forma rápida para alguns, ou demorada para outros, o nosso Eu Interior abandona o corpo astral, o qual não lhe serve para mais nada. Dessa forma, o Eu Interior volta à escala vibratória que lhe é própria, deixando o corpo astral vagando pelo astral, mais ou menos inerte, aonde também irá se decompor com o tempo. É o que algumas tradições chamam de a segunda morte.
E de acordo com algumas escolas de magia, depois da morte física ainda restam, gravadas no corpo astral, resquícios da personalidade física do falecido, como se fosse um programa de computador a simular as atitudes da pessoa que morreu. Se o falecido era muito apegado à matéria, com paixões terrenas exageradas, tal “casca astral” se recusaria a se dissolver, pois esses traços da personalidade física estariam fortemente gravados no corpo astral. Poderá se transformar numa espécie de “vampiro”, sendo atraído para perto de pessoas que possuam as mesmas paixões exageradas do falecido. Essa proximidade faz com que a pessoa tenha essas paixões intensificadas, numa espécie de ressonância. E é justamente esse excesso que gera a energia necessária para alimentar essa “larva astral”, aumentando-lhe o tempo de sobrevida. Estaria aí mais um motivo para se acreditar que sentimentos negativos apenas atraem desgraça!
E voltando o foco para a comparação com a consciência humana, em Yesod estaria o nosso subconsciente. É justamente a parte de nossa mente que nós não temos consciência, que está escondida, mas apesar disso, influencia as nossas atitudes e pensamentos em nossas atividades diárias.
E por fim, embaixo de Yesod está Malkhut, que para os cabalistas seria o mundo físico. Assim sendo, em Malkhut estaria o nosso corpo físico. Aí também estaria a nossa mente consciente e a nossa personalidade, que são atributos do cérebro, um órgão físico. Dessa forma, nossa mente consciente e nossa personalidade deixariam de existir com a nossa morte física, desaparecendo tal qual o nosso cérebro, que se decompõe com o resto do corpo físico. E é justamente essa personalidade, criada e mantida pelo nosso cérebro, que marcam o nosso corpo astral, podendo vir a criar, com a nossa morte, um possível “vampiro” ou “larva astral”, conforme explicado em parágrafo anterior.

A Fylgja na Árvore da Vida

Com essa ligeira explicação em mente, para mim a Fylgja poderia estar relacionada a Kether. Afinal de contas, a Fylgja é a nossa essência, ela é como realmente somos, portanto, está intimamente relacionada com a nossa alma. Seria como se a Fylgja fosse uma espécie de emanação de nossa alma em seu estado mais puro. A Fylgja seria a nossa centelha divina, com toda a sabedoria em potencial que possuímos, esperando para se manifestar plenamente.
Quando nascemos a Fylgja se junta a nós, pois é quando damos a primeira inspiração que nossa alma toma posse desse corpo. Afinal de contas, de acordo com algumas doutrinas místicas, é devido à primeira inspiração que o nosso corpo astral se liga em definitivo com o corpo físico, e é quando isso acontece que os influxos de nossa alma, através de nosso Eu Interior, se conectam com o corpo físico.
Quando morremos a Fylgja nos leva para nosso novo destino, pois quando damos o último suspiro, nossa alma abandona esse corpo, levando nosso Eu Interior junto com ela, pois como o Eu Interior é a consciência de nossa alma, ele jamais poderá se separar dela, pois ele faz parte dela! E depois disso, ao se separar do corpo astral, o Eu Interior eleva-se para o nível vibratório que lhe é próprio.
Porém, enquanto estivermos vivos aqui na Terra, o nosso corpo astral pode ser considerado como uma manifestação de nossa alma no plano astral, pois é a energia dela que vivifica o corpo astral, assim como o faz com o corpo físico. Mas, além disso, ele também é a manifestação de nosso Eu Interior no plano astral, através de nosso subconsciente. Portanto, enquanto vivos, o nosso corpo astral seria a manifestação de nossa alma, provida de consciência. Seria a energia de parte de nossa alma, já consciente de si própria, a se manifestar no astral. Portanto, quando se diz que a Fylgja aparece na forma humana, a Tradição Nórdica poderia estar se referindo ao corpo astral da própria pessoa que a está enxergando.
De acordo com alguns ocultistas, todo ser humano possui um corpo astral cuja polaridade é oposta e complementar à polaridade do corpo físico. Isso decorre da lei hermética do gênero, onde tudo que se manifesta possui o masculino e o feminino, ou seja, tudo se manifesta devido à interação entre duas polaridades opostas. Considerando-se essa teoria, quando a Fylgja aparece na forma humana, ao aparecer para um homem ela apareceria como uma mulher, pois o homem estaria vendo a ele mesmo no plano astral. E ao aparecer para uma mulher, ela apareceria como um homem. Dessa forma, nesse caso a Fylgja seria o reflexo do próprio corpo astral da pessoa, que apareceria numa forma que pudesse ser interpretada pela consciência terrena. Por isso apareceria como um humano de sexo oposto ao daquele que a vê. Isso seria uma espécie de comunicação do Eu Interior com a consciência objetiva, através do subconsciente. E como o nosso Eu Interior sabe muito mais e tem muito mais consciência das verdades cósmicas do que a nossa personalidade terrena, tal contato só poderia resultar em conselhos e avisos sobre o que estaria por vir.

Por isso, na Tradição Nórdica, consta que a Fylgja poderia aparecer para os heróis na forma de uma mulher, para aconselhá-lo, alertá-lo do perigo ou simplesmente para avisá-lo que a morte dele estava próxima.
Considerando-se o nosso corpo astral como uma manifestação de nossa Fylgja em Yesod, torna-se fácil entender porque na Tradição Nórdica se diz que é a Fylgja que leva o Xamã nas viagens a outros mundos. Afinal de contas, nas viagens astrais é o nosso corpo astral que viaja a outros mundos. Também fica fácil entender porque se diz que é a Fylgja que nos faz entrar em contato com os Deuses. Todo o contato com as Divindades se dá através do Eu Interior, que é alcançado através do corpo astral, que serve como ponte entre a Mente Superior e a mente terrena.

Aqui cabe um parenteses para uma observação interessante: se o corpo astral tem a polaridade inversa da polaridade física, como os médiuns vêem o corpo astral de uma pessoa com a mesma forma e sexo do corpo físico ?
Estou me referindo à visão do corpo astral, e não à materializações no plano físico, às quais considero bem mais raras devido à quantidade de energia necessária para isso ! Com isso em mente, cabe aqui salientar que ninguém vê o corpo astral de ninguém através dos olhos físicos, pois os mesmos não captam esse tipo de vibração. Quando alguém vê o corpo astral de outra pessoa, viva ou falecida, vê através de seu subconsciente, logo, quem vê, na realidade, é o corpo astral do próprio vidente. Se a vidente for uma mulher, ao ver o corpo astral de um homem, esse homem vai continuar tendo, no astral, a polaridade oposta à da vidente, logo ela vai sentir estar vendo um homem. E ao ver o corpo astral de uma mulher, tal mulher vai continuar tendo, no astral, a polaridade igual à da vidente, logo ela vai sentir estar vendo uma mulher. Isso é bem diferente da visão da Fylgja, na qual a pessoa sente estar vendo o seu próprio corpo astral, de polaridade oposta ao seu corpo físico. Seria o subconsciente vendo o seu próprio corpo e transmitindo essa informação à mente consciente.
Dito tudo isso, e quando ela nos aparece como um animal?

A Fylgja como Animal
Nosso corpo astral é apenas a manifestação de uma das várias faces de nosso Eu Interior, que por outro lado, é apenas uma parte de nossa alma, ou seja, é apenas a parte de nossa alma que se tornou consciente de si própria. Nossa centelha divina é, portanto, muito maior que o nosso Eu Interior, abrangendo áreas ainda desconhecidas, ou seja, ainda não conscientes de si mesma. E quando uma dessas faces, ainda não conscientes, se reflete no plano astral, se manifesta para nós na forma de um animal. Dessa forma, o que vemos de fato é um reflexo da Fylgja, e não a Fylgja propriamente dita. Nesse caso, ela é a nossa mais pura essência, livre de toda a consciência. Para que a nossa mente consciente possa entender o fato na linguagem que lhe é própria, isso se traduz no astral como um animal, também chamado em algumas tradições como animal de poder, pois esse animal representa exatamente a nossa força primordial.
A Fylgja pode se apresentar de diversas formas, pois quando ela se manifesta no astral, é apenas um reflexo dela, e um reflexo jamais poderá representá-la em sua totalidade. Portanto, a cada forma que ela toma, ela estará refletindo no astral uma das inúmeras facetas que compõem a nossa natureza mais íntima.Aqui eu gostaria de falar um pouco sobre uma casta de guerreiros nórdicos que existiu na idade média, no norte da Europa, que na época ainda era pagã. Eram os Bersekers, que significa peles de urso, sendo também muitas vezes chamados de Ulfhednar, que significa peles de lobo. Eram guerreiros de elite do norte da Europa, sendo que muitos deles também trabalharam como mercenários para o Império Bizantino. Eles também podem ter ajudado no nascimento das lendas sobre lobisomens.
Eram guerreiros de um culto especial ao Deus Odinn. Eles dispensavam malhas de proteção ou capacetes, indo para a batalha vestidos com peles de urso ou lobo. Iam munidos de espadas, lanças ou machados, e contavam apenas com um escudo como proteção. Muitos deles inclusive dispensavam o escudo, indo apenas com as armas em punho para enfrentar o inimigo. Antes da batalha eles se afastavam dos demais e realizavam uma espécie de ritual, invocando os Deuses Tyr e Odinn. Durante esse ritual eles entravam numa espécie de transe que, contam os relatos históricos, deixavam-nos completamente desfigurados. Tal processo os deixava completamente animalescos. Como verdadeiras feras selvagens, investiam contra o inimigo sem se preocupar com a própria segurança. A única coisa que importava era despedaçar o inimigo, ou qualquer um que estivesse no caminho deles.
Consta que possuíam, quando em transe, uma força e uma ferocidade sobre-humanas. Eles podiam ser abatidos várias vezes, por flechas, lanças, espadas e machados, que mesmo assim continuavam a investir e a estraçalhar o inimigo. É como se os Bersekers não sentissem as lâminas inimigas penetrando em sua carne.
Apesar de muito valorizados e empregados pelos reis pagãos do norte da Europa, geralmente eles viviam isolados, pois eles corriam o perigo de entrar em transe a qualquer momento, sem querer. E quando isso acontecia, coitado de quem estava perto!
De acordo com algumas tradições, o transe ocorria quando a Fylgja incorporava no guerreiro. Em outras palavras, o guerreiro era possuído pela Fylgja, assumindo a forma animal da mesma, que nesse caso era de um urso ou de um lobo. Baseando-se nessa explicação tradicional, para tentar explicar o fato com outras palavras, esse transe era resultado de um contato direto do subconsciente com a essência primordial da alma do Berseker, ou seja, seu animal de poder. Dessa forma, grande parte da energia primordial da alma do guerreiro, ainda não consciente de si mesma, se manifestava diretamente em seu corpo astral. Esse acúmulo excessivo e abrupto de energia no subconsciente passaria para a consciência terrena e para o corpo físico numa grandiosa e animalesca explosão. De alguma forma a Fylgja se funde diretamente com o corpo astral, ou seja, essa energia primordial da alma se manifesta sem antes se transformar em consciência em Tipheret! Não é a toa que isso só pudesse resultar em atitudes animalescas, surgidas do mais profundo do subconsciente. Isso pode ser útil em tempos de guerra e violência, mas não é nem um pouco desejável no dia a dia e em épocas de paz. Por isso mesmo que esses guerreiros, antes valorizados, passaram a ser parias da sociedade quando o norte da Europa foi pacificado, acabando por desaparecer completamente com o passar do tempo.

A Fylgja e a Iluminação Cósmica

Vimos que a fusão da Fylgja diretamente com o corpo astral é problemática e, geralmente, sem controle. Mas e sobre a fusão da Fylgja com o Eu Interior?
Sobre isso o paganismo nórdico também tem suas teorias. O Eu Interior corresponderia, em algumas tradições nórdicas, ao que elas chamam de Hame. Pois, de acordo com a tradição nórdica, as qualidades da mente e, portanto, da consciência, estão na Hame. Logo, a Hame seria o Eu Interior, que está em Tipheret.
Na tradição nórdica, todo herói ou guerreiro, que mostrasse valor e honra durante a vida, teria a sua Fylgja fundida com a sua Hame, formando, da união dos dois, a Hamigja. Dessa forma, tal guerreiro, depois de morto, seria levado ao Valhalla, onde graças à força de sua Hamigja, poderia morar no palácio do Deus Odinn por toda a eternidade.
Essa união da Fylgja com a Hame, formando a Hamigja, seria então o momento em que a nossa alma conseguisse desenvolver, em Tipheret, plena consciência de si mesma, conseguindo, dessa forma, manifestar no mundo toda a força e pureza de sua natureza divina. Seria o Herói Valoroso, pois manifestaria no mundo a luz de sua centelha divina. A Fylgja se uniria a Hame formando a Hamigja, pois no momento que a alma conseguir ter plena consciência dela mesma, o Eu Interior será a própria alma completamente consciente e desperta.
Em outras palavras, toda a essência primordial da alma, manifestada pela Fylgja, se transformaria em plena consciência de si mesma, através do Eu Interior, em Tipheret. Nesse momento, não mais estaríamos divididos em vários, mas seríamos apenas um. Não teríamos mais várias fases e etapas de consciências, mas teríamos apenas uma única fase, completamente consciente de sua totalidade e unidade. Estaríamos íntegros. Todas as partes desapareceriam, se fundiriam para formar a Hamigja, a qual iria habitar com os Deuses.
Em algumas tradições rosacruzes, esse estado da alma é chamado de Estado Rosacruz.
Em algumas tradições martinistas, esse estado da alma é chamado de Estado Crístico.
Em algumas tradições de magia, diz-se que o iniciado se tornou uno com o Deus Osíris.
Em algumas tradições thelemicas e de magia, diz-se que esse estado se consegue a partir da conversação com o Sagrado Anjo Guardião.
Dessa forma, não importa que tradição nós seguimos, não importa que religião ou culto nós realizemos, pois o Grande Arquiteto do Universo nos deixou pistas em todas elas, para que possamos vir a manifestar, aqui na Terra, a perfeição de nossa alma divina. Basta procurar e saber enxergar!



Bibliografia:
1-) Manual Nórdico - O Texto Rúnico,
Autor: Grimmwotan Idavoll,

2-) The Mystical Qabalah
Autora: Dion Fortune

3-) Deuses e Mitos Do Norte Da Europa
Autora: H.R. Ellis Davidson

4-) Dogma e Ritual De Alta Magia
Autor: Eliphas Levi.

5-) A Cabala Das Feiticeiras
Autora: Ellen Cannon Reed

6-) Nornor and Disir
Autor: Nordisk Hedendom

7-) Shamanismo Nórdico – Bersekergar
Autor: Áistan Falkar

8-) Draculya e os Varengos Autor: Áistan Falkar

Odin, Vili, Vê e a Origem do Ser Humano

Desde a aurora da civilização o ser humano tem se perguntado qual a sua origem, indagando-se a respeito de sua verdadeira natureza. Diferentes culturas dão, a essa questão, diferentes respostas. Para os pagãos do norte da Europa, o ser humano foi criado pelos Deuses Odin, Vili e Ve, da tribo dos Deuses Aesires. Esses três Deuses encontraram, aqui na Terra, um par de árvores: um freixo e um olmo. Eles resolveram, então, transformar esse par de árvores num homem e numa mulher. Dessa forma, de acordo com os mitos nórdicos, tanto o homem quanto a mulher foram criados simultaneamente pelos Deuses e, portanto, em condições de igualdade! O freixo Eles chamaram de Askr, e decidiram que ele seria o primeiro homem. E o olmo Eles chamaram de Embla, e decidiram que seria a primeira mulher. Para que essa transformação ocorresse, cada um dos 3 Deuses teve que dar uma dádiva ao casal de árvores. Odin assoprou o par de árvores, dando-lhes o sopro da vida e o espírito. Por sua vez, Vili deu o conhecimento, os sentimentos e os sentidos. E por fim, Ve deu a forma humana, a capacidade de movimento, o sangue e a carne (coloração). Dessa forma, nasce o casal que deu origem à Humanidade!
Isso diz o mito, mas o que isso tudo significa? Afinal de contas um mito, sem interpretação, não passa de uma estória de criança! O poder do mito está justamente em sua interpretação e no que isso se traduz em relação a conhecimento aplicável em nosso dia a dia. Os mitos são símbolos que, se corretamente interpretados, nos transmitem conhecimentos sobre as leis divinas.
Para mim, tal mito está de acordo com um princípio místico, denominado Lei do Triângulo, aplicado ao ser humano.

As Leis da Dualidade, do Triângulo e dos Ciclos

O número três representa, dentre outras coisas, a manifestação perfeita, pois ele simboliza o equilíbrio entre os opostos. Como o equilíbrio entre partes opostas nos lembra a justiça, e sendo esse equilíbrio considerado a manifestação perfeita, podemos dizer que o três é o número justo e perfeito a se manifestar entre as colunas da dualidade!
Mas porque ele representa o equilíbrio entre os opostos?
O que tem ele a ver com a dualidade e a manifestação?
E o que isso tudo tem a ver com a manifestação perfeita?
Essa resposta é obtida através de uma lei que os místicos costumam chamar de Lei do Triângulo, simbolizada por um triângulo equilátero!
De acordo com esse ensinamento, tudo o que existe é a manifestação decorrente da interação entre duas forças opostas e complementares. Dessa forma, as coisas existem devido ao equilíbrio que se obtém entre duas forças ou qualidades opostas e, portanto, tudo o que conhecemos possui essas duas qualidades opostas em sua essência.
Pela lei da dualidade sabemos que tudo possui o seu oposto. Dessa forma, vamos chamar uma certa força, ou qualidade, de positiva, formando o primeiro ponto do triângulo. Se o ponto 1 existe, certamente também existe um ponto 2, denominado negativo, que é igual ao primeiro ponto, só que com as características opostas ao mesmo, constituindo-se numa força contrária à primeira força.
Como alguns poucos exemplos disso, temos Amor e Ódio, Luz e Trevas, Macho e Fêmea, pólo Norte e pólo Sul de um imã, pólo positivo e pólo negativo de uma bateria elétrica, os pilares da Misericórdia e da Severidade na Árvore da Vida Cabalistica, Jakin e Boaz, os quadrados pretos e brancos do tabuleiro maçônico, e por aí vai uma infinidade de exemplos!
Acontece que os pontos 1 e 2, sozinhos, não se manifestam. O positivo puro e o negativo puro são dois extremos que, pelo simples fato de serem extremos, estão ambos no infinito e, dessa forma, não fazem parte do mundo manifesto. Se na escuridão absoluta não enxergaríamos nada, na luz absoluta também seríamos cegos. Não existe imã com apenas um dos pólos magnéticos, da mesma forma que o templo não se sustentaria com apenas uma de suas colunas!
Dessa forma, o positivo tem que interagir com o negativo, para que dessa interação surja o terceiro ponto, que é a manifestação. Da mesma forma em que são necessários quadrados pretos e brancos interagindo uns com os outros para formarem o tabuleiro maçônico, também existe a necessidade da interação entre um pólo positivo e um outro negativo de uma bateria, para que a eletricidade possa se manifestar através de uma corrente elétrica.
Dessa forma, não são os pares de opostos que se manifestam. O que se manifesta, na realidade, é justamente a interação entre eles. O positivo e o negativo nunca irão se manifestar sozinhos, pois ambos só podem se manifestar juntos no terceiro ponto. E o que se manifesta, na realidade, é o equilíbrio entre essas duas forças opostas. Eis a chave para se entender o significado da coluna do meio da árvore da vida cabalística!
Eis que agora levanto uma questão: se tudo o que se manifesta é o equilíbrio entre duas forças opostas interagindo, como então vivemos num mundo cheio de dualidades?
Se os pares de opostos individualmente não se manifestam, como é que nós sofremos a ação dos mesmos agindo sozinhos em nosso dia a dia como, por exemplo, amor e ódio?
De fato, olhando-se os fatos rapidamente, concordo que a teoria parece estar furada. Mas fazendo um esforço para expandir a consciência para se olhar além do horizonte, notaremos que a teoria está correta, pois iremos perceber que tudo no Universo e, portanto na vida, ocorre em ciclos! Olhando-se pontualmente, como estamos acostumados, veremos desequilíbrio e dualidade. Mas olhando-se globalmente, perceberemos que no todo só se manifesta o equilíbrio, que é a causa dos eternos ciclos da natureza e dos constantes fluxos e refluxos em nossas vidas. É por isso que a toda ação corresponde uma reação, pois a reação é o Cosmos manifestando o equilíbrio, sendo a reação o que equilibra a nossa ação. Dessa forma, uma ação nunca irá se manifestar sem uma reação correspondente e equilibrante.
Para ilustrar isso, imaginemos duas colunas verticais. A da direita representa a força positiva, e a do lado esquerdo a negativa. Nenhuma dessas duas colunas se manifesta. O que se manifesta, na realidade, é um pêndulo, que se encontra exatamente no meio dessas duas colunas. Tal pêndulo é a manifestação do equilíbrio entre essas duas colunas, sendo ele, o pêndulo, a única coisa a se manifestar.
Esse pêndulo fica eternamente a oscilar entre as duas colunas. Se tirarmos uma fotografia do mesmo, para encará-lo pontualmente, poderemos perceber, por exemplo, que o pêndulo está mais próximo de uma das colunas do que da outra. Com base nisso, poderíamos concluir que o que está se manifestando é a coluna da qual o pêndulo se encontra mais próximo. Poderíamos concluir, erroneamente, que não existe equilíbrio coisa alguma, e que o mundo é refém de um mar eterno de dualidades!
Acontece que não estamos vendo toda a situação. Se pararmos de ver a imagem através de fotografias isoladas, e encararmos o que ocorre globalmente, veremos que o universo não é estático e, portanto, não pode ser vistos através de fotografias. O universo é dinâmico e, portanto, o equilíbrio não é estático, e sim, é um equilíbrio dinâmico.
Notaremos que o pêndulo se aproxima de uma das colunas, porém vai chegar um momento que ele irá parar e inverter o sentido do movimento, indo de encontro da coluna oposta. Irá passar pelo centro e continuará se aproximando da coluna oposta, até parar e inverter novamente o sentido de seu movimento, num eterno ciclo. Analisando-se essas oscilações perceberemos que a média é justamente o ponto central entre as duas colunas. Por isso que os ciclos são as manifestações perfeitas de duas forças em equilíbrio, sendo a terceira ponta do triângulo eqüilátero. Dessa forma, o positivo só se manifesta quando está sendo equilibrado pelo negativo, e vice-versa.
Por isso mesmo que a nossa vida é repleta de ciclos, de fluxos e refluxos, de altos e baixos. Temos que aproveitar a primavera e o verão, não somente se divertindo ao Sol, mas também plantando e trabalhando em nossa lavoura, para podermos colher o que plantamos no outono, e quando o inverno chegar, passaremos pelo mesmo abastecidos com os frutos de nossa colheita. E por mais rigoroso e escuro que seja o inverno, sabemos que ele é passageiro, e tão certo que o Sol irá nascer depois de uma noite fria, o inverno será seguido por uma nova primavera.
O mesmo tipo de equilíbrio se aplica às nossas emoções, como por exemplo, o amor e o ódio. Sabemos que, pela lei do equilíbrio, a mesma distância que o pêndulo vai para a direita, ele irá depois para a esquerda. Da mesma forma, aquele que muito ama, também é aquele que muito odeia. São as pessoas conhecidas como passionais. Por outro lado, aquele que pouco é afligido pelo ódio, também é pouco afligido pelo amor. O amor e o ódio se alternam em nossas vidas. Se exagerarmos muito de um lado, também iremos sofrer as conseqüências do exagero do outro lado. Por isso que um amor cego pode se transformar num grande ódio. Como diz o ditado popular, amor e ódio são as duas faces da mesma moeda! Manifestam-se juntos, pois afinal de contas, ao amarmos algo simultaneamente iremos odiar tudo aquilo que venha a ameaçar o objeto de nosso amor. O sábio não é aquele que se entrega às paixões, e sim é aquele que as mantém comedidas.
Nós todos estamos à mercê das emoções e dos sentimentos, oscilando dentro de nós. Aquele que é escravo das paixões é aquele que simplesmente se deixa arrastar por esses ciclos, pois não consegue manter o domínio sobre eles. É aquele que comete excessos, mal sabendo que o excesso de um lado fatalmente irá desencadear o excesso do outro lado, pois o Universo sempre se manterá em equilíbrio. Isso fará com que a sua vida permanece sempre num aparente desequilíbrio, a mercê das dualidades. É o pêndulo com oscilações longas, que se afasta muito do centro, ora muito perto da coluna direita, ora muito perto da esquerda, o que, aparentemente, dá a impressão de estar manifestando os opostos, e não o equilíbrio entre os mesmos, deixando a tarefa de se manter o equilíbrio com o Cosmos, atitude essa que resulta em fatos desagradáveis para a vida desse indivíduo e daqueles que estão a sua volta.
O verdadeiro mestre não delega ao Cósmico o trabalho de manter o equilíbrio, fato que acarreta em situações imprevisíveis e nem sempre agradáveis! O verdadeiro sábio assume, ele mesmo, o trabalho de manter-se em equilíbrio, pois dessa forma ele está no controle. Não deixa o seu barco a deriva, mas assume o leme do mesmo! É o pêndulo com oscilações curtas, afastando-se pouco do centro. Dessa forma, mantém-se o tempo todo mais próximo do centro do que das colunas laterais, manifestando, de fato, o equilíbrio entre os opostos, que são conciliados dentro dele mesmo, pois o equilíbrio foi alcançado internamente, e não deixado como encargo para o Cósmico realizá-lo externamente!
É isso que representa o iniciado entre colunas! Jakin e Boaz são as colunas laterais da Árvore da Vida Cabalística, chamadas de Colunas da Severidade e da Misericórdia, sendo o iniciado a coluna do meio dessa mesma árvore, chamada coluna do equilíbrio ou da beleza. As colunas laterais representam as dualidades, e quando o iniciado está entre colunas, ao adentrar o templo, simboliza o compromisso que ele aceitou de equilibrar os pares de opostos dentro dele mesmo, conciliando as dualidades em seu interior, a fim de manifestar o equilíbrio entre ambas e de se tornar, ele mesmo, a manifestação perfeita, o triângulo eqüilátero, justo e perfeito entre colunas!

Natureza Trina do Ser Humano e os Três Planos de Manifestação.

O ser humano foi formado por três Deuses, sendo que cada um deles contribuiu com uma parte. Logo, o ser humano é trino, o que corrobora a Lei do Triângulo. Porém, de acordo com algumas doutrinas místicas, o ser humano encarnado seria representado pelo número 9, ou seja, o 3 vezes o 3. Para simplificar tudo isso, vou considerar três planos horizontais de manifestação: o divino, o astral e o físico. E cruzando esses planos, colocarei três colunas verticais: a Alma, a Mente e o Corpo. A tabela abaixo ilustra esse fato:


*******************Alma ********** Mente ******** Corpo ****
Plano Divino *Centelha Divina **** Eu Interior *** Corpo Luminoso *
Plano Astral * Energia da Alma ** Subconsciente *** Corpo Astral ***
Plano Físico * Energia da Alma * Mente Consciente * Corpo Físico ***


Assim sendo, o ser humano seria composto por uma alma, um corpo e uma mente, que quando encarnado, além de se manifestarem no plano divino, também se manifestariam no plano astral e no plano físico.
Vamos analisar o primeiro triângulo, composto por alma, corpo e mente.
A alma seria a nossa essência divina, que sozinha não se manifesta, pois a essência sem um corpo para conter-lhe, acabaria por se diluir. A alma seria o ponto 1 do triângulo.
Já o corpo seria o que dá suporte à manifestação da alma. Sozinho o corpo também não tem condições de se manifestar, pois um corpo, sem ser infundido pela energia vital da alma, acaba por se decompor. O corpo seria o ponto 2 do triângulo.
Da interação da alma com o corpo resulta a manifestação da Mente no terceiro ponto do triângulo. Logo, o ser humano é trino, constituído da interação de uma alma com um corpo, que resultam na manifestação da consciência, cuja expansão é o objetivo principal da Evolução Cósmica.
No plano divino, nosso corpo é formado por uma substância muito sutil, a qual vibra nas freqüências mais altas do Teclado Cósmico. Vou chamá-lo de corpo luminoso, embora já tenha lido alguns autores chamá-lo de corpo causal. Tal corpo causal se manifesta no plano astral através do corpo astral, que por sua vez se manifesta no plano físico através de nosso corpo físico. Nosso corpo físico vibra nas fequências mais baixas do Teclado Cósmico, enquanto o corpo astral vibra numa freqüência intermediária entre o corpo físico e o corpo luminoso.
A nossa alma pertence ao plano divino, mas quando estamos encarnados, parte de sua energia vivifica tanto o nosso corpo astral quanto o nosso corpo físico. Como o corpo astral vibra numa frequência mais próxima das vibrações divinas do que o corpo terreno vibra, a parcela da energia de nossa alma, a vivificar o corpo astral, é maior do que a parcela da mesma que chega até o nosso corpo físico.
No plano divino a nossa mente é o Eu Interior, também chamada de Mente Superior. A manifestação do Eu Interior no plano astral é o subconsciente, que por sua vez se manifesta no plano físico através da nossa mente objetiva, também chamada de mente consciente. Porém, quando algo que vibra em altíssimas frequências, como a Mente Superior, tem que ser convertido em algo de baixíssimas frequências, como a mente física, algo se perde nessa conversão. É por isso que a nossa personalidade é apenas um reflexo de nosso Eu Interior, sendo que a maior parte das qualidades de nossa Mente Superior não podem ser manifestadas em nossa consciência objetiva.
Se tivermos um equipamento de telecomunicações que opera em altas frequências, e na outra ponta um outro que opera em baixas frequências, é óbvio que um não saberá da existência do outro, pois não conseguirão se comunicar. Será necessária a existência de um conversor entre ambos os equipamentos, convertendo o sinal de altas frequências num sinal de baixas frequências, e vice-versa, para que ambos se conectem.
O mesmo ocorre em relação à alma e ao corpo físico, sendo que a função do equipamento conversor de frequências é realizada pelo corpo astral. É o nosso corpo astral que conecta a alma ao corpo físico, permitindo, assim, que o ser humano possa viver na Terra. É através do corpo astral, ou seja, através de nosso subconsciente, que o Eu Interior manda inspiração à mente física, assim como é através dele que a mente física manda as impressões e lições mundanas ao Eu Interior. É por tal motivo que qualquer contato com o Eu Interior tem que ser realizado através da introspecção, pois o subconsciente é a ponte entre a nossa consciência objetiva e o nosso Eu Interior.
Com tudo isso em mente, nós podemos simplificar e dizer que o ser humano é trino e é formado por alma, corpo e mente, e que se manifesta, quando encarnado, nos planos divino, astral e físico.

Odin, Vili e Vê

Já sabemos que o ser humano é formado por 3 partes intimamente interligadas, a saber: Alma, Mente e Corpo. Quando encarnado, vou considerar como corpo o nosso corpo físico, que é o suporte material da Alma aqui no plano físico. Com isso em mente, vamos analisar a constituição do ser humano de acordo com a Tradição Nórdica.
Dessa forma Odin, que de acordo com a Tradição Nórdica forneceu o espírito, é o responsável pela alma humana. Odin fornece a centelha Divina que arde dentro de cada um de nós, centelha essa que nos anima (sopro da vida) e nos torna parente dos Deuses. Não é a toa que Odin também é um Deus da Morte, que recolhe em seu palácio a alma de todos aqueles que foram valorosos durante a vida, o que antigamente se traduzia em morrer com honra na batalha! Afinal de contas, nada mais natural do que voltar para Ele exatamente a parte que Ele concedeu e que melhor se manifestou aqui na Terra! Odin também é o Deus do êxtase divino e da inspiração. Logo, o êxtase divino provém de nossa alma, e a inspiração ocorre quando um fluxo de energia proveniente de nossa centelha divina se torna compreensível para a nossa mente consciente.
Vili, que deu o conhecimento e os sentimentos, é responsável pela Mente. Vili também significa Vontade. Logo, a nossa Vontade está em nossa Mente e, portanto, é nossa Mente que tem a palavra final sobre nossas decisões, nos mostrando o caminho a seguir. Mente forte, Vontade forte. Uma Mente fraca, uma Vontade fraca!
E por fim, Ve é responsável pelo nosso corpo físico. Ve significa Sagrado, significando que o nosso corpo físico é sagrado, pois é o templo da alma. É através de nosso corpo físico que nós podemos manifestar as Virtudes Divinas no plano físico. Por isso mesmo é que nosso corpo físico deve ser bem cuidado e jamais ser desprezado. Ve também é chamado de Lodur, que para alguns autores é um outro nome para Loki. Vê nos deu o sangue, e na forma de Loki, é um Deus Ígneo. E o que faz ferver mais o sangue do que nossas paixões terrenas? Dessa forma, Vê também é o responsável por nossas paixões terrenas, cujo objetivo é satisfazer o nosso corpo físico, o qual é sagrado, pois é o templo de nossa alma.
Infelizmente, nós não estamos cientes de que esses 3 aspectos formam, na realidade, uma unidade. E essa falta de consciência faz com que, em geral, nossa centelha divina aponte para um lado, enquanto nossas paixões físicas apontam para o outro. Essa falta de sincronismo entre a nossa centelha divina e nossas paixões físicas nos quebram, nos fazendo ficar a mercê de um falso mundo de dualidades e em completo desequilíbrio!É como uma carruagem puxada por dois cavalos. A centelha divina é um cavalo, nossas paixões físicas são o outro cavalo, e nossa mente é o carroceiro, sendo que cada cavalo está amarrado a um dos braços do carroceiro. O fato de não termos nossas aspirações espirituais em conformidade com nossas paixões terrenas faz com que cada cavalo vá para um lado diferente. Isso faz com que nossa mente, o carroceiro, se rasgue em dois, criando um falso conceito de Bem contra o Mal, perdendo-se no mundo falso das dualidades inconciliáveis!
A função do carroceiro, que é a nossa mente, é justamente fazer com que as nossas aspirações espirituais se alinhem com nossas paixões terrenas. Dessa forma, ambos os cavalos irão seguir para o mesmo ponto, desaparecendo, assim, a dualidade que afligia a nossa mente. Iremos ter a mente clara e faremos com que os dois cavalos nos guiem até o destino escolhido por nossa mente, de forma eficiente e segura.
Mas como a nossa mente pode sincronizar nossa centelha divina com as nossas paixões terrenas, fazendo-as apontar para o mesmo ponto?
Isso pode ser feito através do conhecimento. Através de técnicas de introspecção, nossa mente consciente pode receber a inspiração necessária diretamente de nossa centelha divina, através de nosso Eu Interior. Ao receber essa inspiração, a nossa mente objetiva deve usar de conhecimento e raciocínio para interpretar corretamente o que a nossa Mente Superior quis de fato nos comunicar. Depois disso, deve usar de critérios para saber como alinhar as nossas paixões terrenas em conformidade com as nossas aspirações espirituais. E para colocar isso em prática, são necessárias disciplina e vontade, pois não há disciplina sem vontade.
Nossa mente consciente, além de ser disciplinada, tem que ser equilibrada, para saber levar a alma e o corpo em conformidade. Não adianta darmos importância demasiada às nossas aspirações divinas, em detrimento às nossas paixões terrenas, pois isso só gera sofrimento, doença e ruína. Temos que saber descartar aspirações utópicas e sem sentido, e nos concentrarmos nas aspirações que, de fato, são passíveis de se realizar no plano terreno. Também não adianta darmos livre vazão às paixões terrenas, pois isso também só gera sofrimento, sendo fonte de vícios e insatisfação. Temos que ter disciplina suficiente para frearmos os impulsos terrenos quando esses se mostrarem exagerados, ou então, quando se mostrarem em total desacordo com nossas aspirações divinas. Não devemos ser castos, mas também não nos convém sermos depravados!
E é para achar esse meio termo, esse ponto de equilíbrio, é que saímos em busca de conhecimento. Só dessa forma poderemos manifestar, aqui na Terra, a perfeição de nossa centelha divina, nos tornando o Triangulo Eqüilátero, justo e perfeito entre as colunas.

Bibliografia:

1-) Manual Nórdico - O Texto Rúnico,
Autor: Grimmwotan Idavoll,

2-) The Mystical Qabalah
Autora: Dion Fortune

3-) Deuses e Mitos Do Norte Da Europa
Autora: H.R. Ellis Davidson

4-) Dogma e Ritual De Alta Magia
Autor: Eliphas Levi.

5-) A Cabala Das Feiticeiras
Autora: Ellen Cannon Reed